CTB – Bahia denuncia o aumento das demissões em massa
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"Há 120 anos se festeja 1º de maio como o dia mundial do trabalhador, no entanto com 354 mil desempregados na RMS e a iminência de mais demissões no Estado, devido o reflexo da crise mundial que atingiu vários países, forças sindicais baianas alegam que não têm o que comemorar. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) seção Bahia, Adilson Gonçalves Araújo, revela as últimas estatísticas de desemprego no País e no Estado nada animadoras.
Um dado assustador é que de setembro de 2008 a fevereiro deste ano, a agropecuária perdeu 100 mil postos de trabalho, número superior em 64% a mais, em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), informou o sindicalista.
Outra preocupação dos trabalhadores baianos é de que a taxa de desemprego na Região Metropolitana de Salvador (RMS) representou em fevereiro/2009, 19,4% da População Economicamente Ativa. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pela SEI em parceria com o Dieese, Seade, Setre e Ufba, o contingente de desempregados na RMS soma 354 mil pessoas. Desde dezembro de 2008 que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou em todo País um saldo negativo de 654 mil vagas formais entre contratações e demissões. Mas segundo o Ministério do Trabalho, dos 103.707 trabalhadores que foram demitidos em dezembro do ano passado, que terão direito a receber duas parcelas extras do seguro-desemprego, somente 222 trabalhadores serão atendidos pelo benefício na Bahia e o pagamento está sendo feito em abril.
Para Araújo "a crise tem protagonizado em todo o mundo vigorosas jornadas de lutas a exemplo das manifestações que ocorreram na França reunindo mais de 3 milhões de pessoas, e em Portugal que reuniu 200 mil trabalhadores. No Brasil o dia 30 de março, que unificou as centrais sindicais e os movimentos sociais, com a realização de um grandioso protesto nacional apontou para a construção de uma agenda unitária do movimento sindical brasileiro voltada para os atos do Dia do Trabalhador."
O presidente da CTB adiantou que aqui na Bahia a data vai reunir a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UGT (União Geral dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), Conlutas, em ato unificado previsto para ocorrer na Praça 2 de julho, no Campo Grande, Salvador. "A CTB não mediu esforços para unificar, em todo o País, os atos do Dia do Trabalhador, mas as maiores centrais sindicais já tinham definido atos exclusivos, o que não impede de avançarmos juntos na luta contra o desemprego", afirmou.
De acordo com o dirigente, cresce a onda de demissões em massa no Estado. Empresas que foram beneficiadas com a instalação na Bahia, com incentivos fiscais, doações de terrenos, e até mesmo, empréstimos para financiamento, vêm utilizando o discurso da crise para aprofundar as desigualdades sociais, promovendo sucessivos ataques às conquistas e direitos dos trabalhadores.
"Na Bahia, Estado que concentra um índice elevado de desempregados, dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia-SEI apontam que as demissões são mais acentuadas nas áreas da indústria, agropecuária, construção civil e serviços", disse o dirigente.
Araújo dá como exemplos recentes a Britânia e a Ford e outras empresas. A primeira, segundo o líder sindical " fechou as portas, demitindo mais de 300 funcionários, a Ford lançou o seu programa de demissão, com a pretensão de promover um grande corte de pessoal, outras empresas insistem no corte de benefícios, com o argumento de que a saída para a crise é cortar salários. São muitas as investidas para precarizar e flexibilizar os direitos trabalhistas", lamentou.
Mas a situação dos trabalhadores baianos não acaba por aí, ainda existem empresas na iminência de fechar suas portas. "A mais recente investida é a Novelis, indústria de chapas de alumínio, antiga Alcan, instalada na Bahia há 37 anos, que ameaça fechar as portas de sua fábrica em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, nos próximos 60 dias. Com o fechamento da indústria, serão demitidos 600 empregados que trabalham na unidade", informou.
Na opinião do presidente da CTB -Bahia, "o amadurecimento das centrais sindicais aponta como caminho para enfrentar a crise, a luta por um novo projeto de desenvolvimento nacional, com unidade dos trabalhadores urbanos e rurais e, sobretudo, a defesa do emprego. A classe trabalhadora deve estar atenta aos efeitos da crise cujas consequências já vêm sofrendo, com corte de empregos e redução de direitos. É necessário denunciar o caráter nefasto do neoliberalismo e ressaltar que nos marcos do capitalismo não encontraremos respostas. Somente um projeto de desenvolvimento com soberania será capaz de enfrentar os graves problemas causados pela crise econômica mundial".
Para Araújo, "este 1º de maio ocorre numa conjuntura singular para o Brasil e o mundo, marcada por uma severa crise do capitalismo internacional, produzida e exportada pelos EUA. O momento exige maturidade dos sindicalistas e a mais sólida unidade para enfrentar a crise e exigir que os ricos paguem a conta da crise que eles criaram".
O líder enfatiza que os trabalhadores e trabalhadoras devem se apropriar do seu dia, o 1º de maio, que é comemorado internacionalmente, lembrando as heróicas lutas pela redução do tempo de trabalho e conclamando a mobilização e luta por um novo projeto de desenvolvimento nacional, fundado na soberania e na valorização do trabalho"
Portal CTb - com informações da Tribuna da Bahia
