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CTB debate reforma trabalhista no Senado

Na tarde desta quarta-feira (17), Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), participou de audiência pública, promovida pelas Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS) que debateu o Projeto de Lei Complementar (PLC 38/2017) que versa sobre a Reforma Trabalhista.

O evento contou com a participação do juiz do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, Jorge Souto Maior; do professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e referência do Instituto Milleniun, José Márcio Camargo; do ex-Ministro do Trabalho do governo FHC, Paulo Paiva; do relator do PL na Câmara, deputado Rogério Marinho (PSDB/RN); do presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah; e do presidente da CTB, Adilson Araújo.

Diversos Senadores também acompanharam a audiência, intercalando a participação entre a sessão do plenário e a atividade das Comissões, o que recebeu duras críticas das senadoras Gleise Hoffman e Vanessa Grazziotin, que registraram que a realização de evento de tamanha importância não poderiam acontecer em horários concomitantes com sessões deliberativas da Casa.

Economista diz que trabalhador recebe "prêmio" ao ser demitido

As opiniões dos convidados foram destoantes.

O professor José Márcio Camargo, conhecido por ser referência em economia do Instituto Millenium – conhecido consórcio neoliberal que reúne industriais, banqueiros e barões da mídia – defendeu a reforma trabalhista e afirmou categoricamente que a Consolidação das Leis do Trabalho “não serve para nada”. Ele disse ainda que, ao ser demitido, os trabalhadores e trabalhadoras recebem “um prêmio”, ao referir-se as indenizações por demissão imotivada.

Contrário à aprovação do PLC 38/2016, o juiz do TRT/SP, Jorge Souto Maior, historicizou a constituição de legislações protetivas do trabalho e criticou a proposta aprovada na Câmara, que segundo ele contempla apenas interesses econômicos e empresariais.
Para gerar empregos, o Estado precisa ser um impulsionador da economia

Adilson Araújo, presidente da CTB, disse que a compreensão do governo é a de resolver o problema da crise – que é de esfera mundial – maltratando pessoas, precarizando as relações de trabalho. “É muito mesquinha a falácia da modernização, quando na verdade remete o Brasil para o retorno a uma sociedade de relações escravocrata”, disse Adilson.

“O problema não é a CLT. O problema está na concepção excludente dos defensores da Reforma, ao impor uma agenda que só faz coro com o rentismo, com o lucro e o mercado. Despreza o que o Brasil construiu, ao longo de sua história. A criação da Justiça do Trabalho e da CLT, foi a resposta para superação de mais de 300 anos de escravismo”, lembrou o presidente cetebista.

Adilson Araújo também resgatou que, na história recente do país, vivemos sob a égide do pleno emprego, comprovando que não é são as leis protetivas do trabalho que impedem a geração de empregos, mas a ausência do Estado, enquanto impulsionador do desenvolvimento econômico.

No próximo dia 24 de maio, as centrais sindicais e movimentos sociais estão organizando o movimento #OcupeBrasília, quando milhares de trabalhadores e trabalhadoras realizarão uma gigantesca marcha na Capital Federal, com o objetivo de mostrar ao governo e os parlamentares o descontentamento social com as reformas em curso no Legislativo Federal.

De Brasília, Sônia Corrêa – Portal CTB

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