CTB pode impulsionar unidade da classe trabalhadora em torno da candidatura Dilma

Paulo Vinicius entende que, após a realização da Conclat e a constituição de um documento como a Agenda da Classe Trabalhadora, é perfeitamente possível que os trabalhadores ocupem um papel destacado na campanha eleitoral deste ano.
O secretário da Juventude Trabalhadora da CTB define como positivas as políticas do governo Lula para o jovem brasileiro, mas aponta os caminhos que permitirão a seu sucessor ou sucessora aprofundar essa trajetória. Paulo Vinicius destaca a votação da PEC da Juventude, a ser realizada ainda esta semana, como peça fundamental para novos avanços.
Leia abaixo a entrevista:
Portal CTB - Como você avalia a decisão de a CTB apoiar a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República?
Paulo Vinicius - Tem se confirmado a avaliação de que a criação da CTB seria um passo importante para unir os trabalhadores. O fato de defender desde o início a realização de uma Conferência da Classe Trabalhadora pôde reunir amplas forças e se tornar realidade. Cinco centrais sindicais reuniram dezenas de milhares de trabalhadores para apresentar uma plataforma inédita para o debate eleitoral. Aquele documento e os vídeos são uma plataforma clara do Brasil que queremos.
Desse modo, os trabalhadores e trabalhadoras, com seu programa na mão, podem ocupar um papel destacado na definição das eleições de 2010. Apoiar e ajudar a desenhar como será, com suas bandeiras.
A CTB, ao avaliar que a candidata Dilma reúne as credenciais para continuar e avançar no projeto, pode impulsionar essa unidade dos trabalhadores para apoiá-la por esses objetivos da CONCLAT. A CTB pode contribuir com sua capacidade de diálogo, criar condições para uma grande participação do movimento social para definir o resultado desse momento decisivo. Essa definição abre muitas possibilidades de organizar o povo para impulsionar as mudanças, num grande movimento que reúna todas as forças sociais que apoiam Dilma.
Portal CTB - Independentemente de quem vier a ser o sucessor ou a sucessora do presidente Lula, que tipo de política deve estar entre as prioridades para que o jovem brasileiro consiga ter maiores perspectivas para os próximos anos?
Paulo Vinicius - Há bandeiras dos trabalhadores que estão para ser aprovadas. Destaco a PEC da Juventude (PEC 42/2008), a ser votada nesta quarta-feira, 07/07, no Senado. Ela inclui os jovens na Constituição, o que ampliará e muito as possibilidades de políticas de Estado para a juventude, que está desamparada como sujeito de direitos.
Devemos pedir o apoio aos senadores e senadoras de todos os partidos, pois a PEC abrirá caminho para um Plano e um Estatuto da Juventude, com políticas de maior duração num momento chave, de viragem na composição etária da população. Essa geração de jovens terá papel determinante no projeto nacional de desenvolvimento, na produção, na composição da População Economicamente Ativa. Contar com a juventude é fundamental para esse salto que queremos que o Brasil dê.
Outro tema é o das 40 horas semanais. Significam mais quatro horas por semana para estudar, para ter esporte e lazer e corrigir uma injustiça. Afinal, a tecnologia avança, produzimos mais, e devemos ter direito a mais qualidade de vida, além de garantir empregos.
E, por fim, há que se assegurar à juventude trabalhadora questões fundamentais para qualquer jovem. O jovem pobre que trabalha não pode ter amputada a sua possibilidade de continuar estudando, pois se isso ocorre, ele não será bem remunerado, não poderá ter a mesma oportunidade. Essa juventude deve ser parte do crescimento do Brasil, e com valorização do trabalho. Valorizar o trabalho para a juventude é dar-lhe oportunidades, igualdade de direitos, oportunidade de estudar, de ter acesso à cultura e ao esporte, assim como se organizar no seu sindicato. Daí a necessidade de lutar pela convenção 158, que coíbe a demissão sem motivos, que desestimula a organização no sindicato.
Portal CTB - Já é possível fazer um balanço dos pontos positivos e negativos do governo Lula em relação à política para os jovens brasileiros? O que merece maior destaque e o que deixou a desejar?
Paulo Vinicius - O maior destaque é a relevância do tema com a criação da Secretaria de Juventude e com as proposições legislativas a que me referi, assim como a consolidação do Conselho nacional de Juventude, do qual a CTB é parte, assim como a realização da Conferência. Mas é necessário avançar na intersetorialidade dos programas, no orçamento e nas condições de executar a política. A assistência estudantil, a ampliação do acesso à educação também para os jovens trabalhadores - como se deu com o PROUNI - são pontos muito positivos e que devem seguir. A ampliação do ensino profissionalizante e superior podem de fato abrir uma outra perspectiva para o Brasil em meio às oportunidade do Pré-Sal, da Copa e da Olimpíadas. Deter o neoliberalismo abriu novas possibilidades ao país.
Portal CTB - Grande parte dos jovens brasileiros não costuma se interessar por política. Como isso se dá na relação do trabalhador jovem com seus sindicatos? Como melhorar essa relação e aprimorá-la?
Paulo Vinicius - Existe em primeiro lugar pouca consolidação da organização sindical por local de trabalho, e esse é um direito fundamental para a juventude que ingressa muitas vezes sem experiência de organização política ou reivindicativa. Nós temos direitos e muitas vezes nem sabemos. Aí o capital se aproveita, e tenta além de intimidar, cooptar, recrutar esses jovens. Por isso para a juventude é fundamental o crescimento, a maior oportunidade empregos formais, para afirmar os direitos e se combater a precarização do trabalho, que desestimula e pune a participação política da juventude.
Essa é uma luta de todo o movimento sindical. Os diretores e diretoras dos sindicatos devem refletir sobre quantos jovens compõem a sua base de representação. E, desse contingente, com quantos o sindicato consegue falar? Quem pode falar do melhor modo é a juventude sindicalista, então é decisivo incorporar as lideranças juvenis nos sindicatos, e isso não é coisa de jovem, mas de todo o movimento.
E há boas notícias, por exemplo na luta da juventude rural. O sistema CONTAG tem uma política muito ativa de incorporação de lideranças jovens. Nesse dia 26 de julho ocorrerá o II Festival da Juventude Rural da CONTAG com 5000 jovens. Cláudio Bastos e Rita Miranda, ambos jovens da CTB, foram eleitos presidente e vice-presidenta da FETAG Bahia. Então eu confio muito que a CTB saberá incorporar a juventude na luta sindical. E nesse momento, o que precisamos é do apoio de todas as CTBs estaduais para a organização dos coletivos estaduais de jovens trabalhadores.
Portal CTB - Como tem se dado a interlocução da Secretaria da Juventude Trabalhadora da CTB com as outras centrais e movimentos? Tem sido possível realizar articulações conjuntas?
Estivemos juntos coma CGTB e a Nova Central na I Conferência da Juventude Sindicalista da FSM. Estamos juntos na Coordenação de Centrais do CONE SUL e também no Conselho Nacional de Juventude e mesmo na CONCLAT. São muito boas as perspectivas de ações conjuntas, e a juventude trabalhadora vai ocupando espaços importantes e de responsabilidade no âmbito das centrais, o que permite acompanhar os avanços da unidade das centrais que tem marcado esse período mais recente.
Há uma interlocução direta e temas em comum. As juventudes unidas estão apresentado um Pacto Nacional da Juventude para apresentar ao debate eleitoral, elaborado pelo CONJUVE.
Estivemos juntos com a UNE e a UBES na Marcha da Classe Trabalhadora, nos fóruns sociais, na CONCLAT e na Assembleia dos Movimentos Sociais. Há jovens da JSB, da UJS e independentes e inclusive filiados ao PT que estão muito empenhados na estruturação dos coletivos de jovens trabalhadores e na luta da CTB como um todo.
Há apenas 15 dias estivemos na Bahia, organizando um representativo coletivo de jovens trabalhadores no Estado em que a CTB é a maior força do movimento sindical, o que nos dá capilaridade e força na base.
Vivemos um momento de grande unidade da juventude brasileira que aspira ao seu lugar num novo projeto nacional de desenvolvimento. E a CTB valoriza a interlocução com essas lideranças dos movimentos porque sabemos também que todos ingressarão no mundo do trabalho. Primeiro é o grêmio e o DCE, o movimento hip hop, a cultura, os esportes, mas naturalmente se impõe a dinâmica do trabalho e da luta por independência.
Queremos que a CTB seja uma ponte nesse caminho, e queremos uma nova geração de lutadores e lutadoras construindo o futuro de avanço do Brasil e do movimento sindical. E com a convicção de que o futuro é o socialismo!
Fernando Damasceno - Portal CTB
