Decisão judicial no Rio dá mais força à greve da categoria bancária
O Bradesco sofreu mais uma derrota na
Justiça do Trabalho. Insatisfeito com a decisão do juiz Marcel da Costa
Roman Bispo, da 22ª Vara do Trabalho, que negou pedido de interdito
proibitório, no dia último dia 22, o banco solicitou que o magistrado
reconsiderasse. O pedido foi negado, na última sexta-feira, após serem
ouvidos os advogados da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Sindicato e
os do banco. A rejeição reforça o direito dos bancários de permanecerem
em greve.
O Bradesco sustentou que o Sindicato está impedindo o acesso às suas
agências dos bancários que não pretendem aderir ao movimento e dos
clientes. O Sindicato rebateu a acusação com provas. Além de ouvir as
partes, o próprio juiz percorreu várias agências da Av. Rio Branco,
Senador Dantas, Pio X, não presenciando nenhum incidente, como alegava
o banco. Sobre isto, disse em seu despacho o que viu: "Algumas agências
vazias, sem nenhum piquete. Uma caixa de som desligada em frente à
agência Unibanco na Avenida Rio Branco. Algumas poucas agências
funcionando. Os caixas eletrônicos abertos. Os piquetes, quando
existem, formados de uma ou duas pessoas. Não presenciamos movimentação
policial, protestos ou panfletagem na rua. Nada sequer parecido com uma
situação de tumulto". Cuidado semelhante de verificar a situação in
loco havia sido adotado pelo titular da 38ª Vara do Trabalho, que negou
interdito solicitado, anteriormente, pelo Itaú Unibanco.
Interdito não tem sentido
Em sua decisão o juiz Marcel Roman sustentou que a paralisação dos
bancários não representava ameaça ao direito de propriedade, como
sustentava o Bradesco em seu pedido de interdito. "O interdito
possessório, para se justificar, só teria sentido pela ameaça do
direito de propriedade do banco autor. Contudo, o direito dos
empregados de entrarem, aderirem à greve, ou não, não pode ser tratado
como um direito de propriedade", afirmou.
Mais uma vez salientou sobre o caráter pacífico do movimento: "Não
temos o relato de violência. Como já foi dito, nada vimos percorrendo
as ruas do Centro da cidade, nos jornais ou na internet. As notícias
que nos chegam é de, até o presente momento, uma greve pacífica". O
presidente do Sindicato, Almir Aguiar, lembrou que o Bradesco tenta
conseguir da Justiça interditos em todo o país, criando simulações
apresentadas como provas. "Os juízes, felizmente, têm constatado este
artifício e negado os pedidos", afirmou o sindicalista.
O interdito proibitório é uma medida judicial usada para garantir a
posse de imóveis e terrenos ameaçados de ocupação ou ocupados. Mas os
banqueiros a utilizam durante as greves, alegando consistirem a
paralisação e as manifestações em frente às agências, em ameaças à
posse das mesmas. A tendência da Justiça do Trabalho tem sido a de
rejeitar este tipo de artifício.
*Sindicato dos Bancários do Rio
