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Desemprego em alta indica necessidade de intensificar mobilização para 30/03

O nível de emprego na indústria registrou em janeiro um recuo de 1,3% em relação a dezembro e de 2,5% na comparação com o mesmo mês de 2008, a maior queda anual desde o início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2001. Foi também o quarto declínio mensal consecutivo. Dados divulgados nesta quinta-feira pela Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) sugerem que as coisas continuam indo de mal a pior. Em fevereiro a indústria paulista (a maior do país) fechou 43 mil postos de trabalho. Tudo isto mostra a necessidade das centrais sindicais, movimentos sociais e forças progressistas intensificarem a mobilização unitária para 30 de março, eleito pelas centrais sindicais como o Dia de Luta em Defesa do Emprego e dos Direitos Sociais.

Segundo as informações do IBGE, desde a intensificação da crise econômica, em setembro passado, o indicador de emprego na indústria brasileira apresentou queda de 3,9%. O ritmo da queda foi mais acentuado na média dos três meses terminados em janeiro do que no trimestre encerrado em dezembro (-0,9%) e apresentou retração de 1,3%. O declínio foi generalizado, verificando-se em 13 dos 14 locais e em 12 de 18 ramos pesquisados.

Horas pagas

O número de horas pagas ao trabalhador apresentou queda de 3,6% em relação a janeiro do ano passado e atingiu o menor patamar da série histórica. Em relação a dezembro, a retração foi de 1,8%, na série com ajuste sazonal. Trata-se da quarta queda consecutiva do indicador de horas pagas.

A taxa anualizada de horas pagas foi de alta de 1,4% no período até janeiro, abaixo do que havia sido verificado em dezembro, de 1,9%. A trajetória de desaceleração tem sido verificada desde outubro, quando o acumulado apontava para 2,7%.

Com a retração do nível de emprego e do número de horas pagas ao trabalhador, o valor real da folha de pagamento também sofreu forte impacto e teve queda de 1,2% em relação a dezembro. No entanto, quando comparado com janeiro de 2008 o indicador apurou alta de 1,2%, o que reflete o robusto crescimento do PIB nos três primeiros trimestres do ano, mas também significa o menor avanço desde dezembro de 2006, quando foi de 0,5%.

PIB

Na terça-feira (10), o IBGE informou que a economia brasileira em seu conjunto recuou 3,6% no quarto trimestre do ano passado em relação ao terceiro. O retrocesso do PIB, que surpreendeu a maioria dos observadores e contrariou as expectativas otimistas do governo, atingiu todos os setores e ramos da economia nacional, mas a crise é mais séria na indústria, que declinou 7,4% no período.

Em São Paulo, o nível de emprego no setor caiu pelo quinto mês consecutivo em fevereiro e a indústria já destruiu 236,5 mil vagas desde outubro do ano passado, de acordo com a Fiesp. A queda acumulada no primeiro bimestre deste ano é de 3,05%, na comparação com fevereiro do ano passado o declínio é de 4,57%.

Não se trata de um problema restrito a alguns ramos, pois dos 22 segmentos pesquisados 20 demitiram e apenas dois contrataram: produtos diversos e couro e calçados, que criaram apenas 423 novos postos de trabalho, enquanto o saldo líquido das demissões ultrapassa 40 mil. Em contraste com a deprimente performance do mercado de trabalho, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) sinaliza uma recuperação da produção industrial em São Paulo no mês de fevereiro, prevendo elevação de 5% em relação a janeiro e queda de 12,8% em relação ao mesmo mês de 2008, um tombo menor que os 17,9% registrado em janeiro.

Seja qual tenha sido o resultado da produção manufatureira no estado mais rico da federação em fevereiro (que o IBGE só vai divulgar em abril), o desemprego crescente requer maior atenção e mobilização do movimento sindical e, em particular, da CTB. É hora de intensificar a luta contra as demissões (que não constituem uma fatalidade do destino e podem ser evitadas) e em defesa do emprego e dos direitos sociais. É hora de mobilizar as bases para garantir grandes manifestações unitárias no próximo 30 de março.


Umberto Martins, com agências - CTB

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