Logo

Destempero de Serra e sapiência de seu vice escancaram tática contra Dilma

Para quem achava que José Serra encontrara um vice que não lhe causaria problemas, está aí o combativo Índio da Costa mostrando a que veio. Seu papel durante a campanha presidencial não será o de mero franco-atirador da chapa demo-tucana, mas sim o de consolidar no país uma alternativa que se assuma como conservadora perante a sociedade.

Para colocar essa tática em prática, Índio já encarnou a figura do lutador de rua, desprovido de quaisquer regras, enquanto Serra ainda se resguarda sob um certo manto com ares de “republicano”, de alguém que tenta conter seus ímpetos direitistas para se consolidar como o mais indicado a suceder Lula e impedir que a “radical” Dilma chegue à Presidência.

O grande problema da estratégia demo-tucana está no mais absoluto despreparo do parlamentar escolhido como vice. As reações a Índio da Costa são tão ruins, mas tão ruins, que nem mesmo os grandes veículos de comunicação do país, serristas até a última molécula em seus DNAs, têm suportado se manter em silêncio diante da sucessão de descalabros que vieram à tona nos últimos dias.

Vejamos: Dora Kramer, colunista do “Estadão”, compara-o com o antigo vice dos sonhos de Serra e destaca que “o deputado Índio da Costa é mais jovem que Aécio, bonitinho tanto quanto, mas desprovido de cancha, peso político e estrada. E, a julgar pela primeira entrada em cena, não oferece compensações: o que lhe falta em experiência não lhe sobra em sapiência e extrapola em imprudência”.

A “imprudência” a que se refere a colunista do “Estadão” se concretizou na última sexta-feira (16), quando o vice “bonitinho” afirmou, cercado de tucanos amigos, que o PT mantém ligação com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e com o narcotráfico. Serra, ao invés de aplicar um pito no companheiro de chapa, optou por comprar a briga, corroborar seu pupilo e ver até onde isso o levará.

Diante da repercussão e da irresponsabilidade das declarações, a “Folha de S.Paulo” chamou para si, por meio de seu editorial, a tarefa de pôr freio ao discurso demo-tucano: “Tais considerações não bastam para ocultar a evidência de que as palavras do vice pretendem apenas fomentar temores e animosidades ideológicas em tom tosco e ultrapassado, que contribui para rebaixar o nível da campanha. Após uma coreografia de tucanos e democratas para conter os ânimos, Serra preferiu ontem apoiar a declaração do pupilo em vez de tentar recolocar a disputa nos trilhos da civilidade”, diz o texto.

Direita, volver!

É importante ficar claro nesse debate que não só o PT, mas representantes da gestão Fernando Henrique (como Arthur Virgílio, por exemplo) também já mantiveram relações em diferentes níveis com integrantes das Farc — e, convenhamos, não há nada de condenável em manter diálogo com determinadas organizações políticas.

Por outro lado, dizer, sem quaisquer provas, que o PT ou qualquer outra entidade tem relações com o narcotráfico, é algo que a Justiça brasileira tratará de resolver. Tal qual uma Sarah Palin que fala português, Índio da Costa se resume a um rosto bem apessoado e ao esforço de parecer algo que não é. Além de demonstrar até onde vai a falta de sapiência do vice de Serra, o episódio serve de alerta para o que virá pela frente em termos de tática eleitoral. Mais do que ressuscitar um discurso à la UDN, a direita brasileira moderna se inspira no que há de pior em matéria de reacionarismo.

Por Fernando Damasceno – Portal CTB
Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.