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Dia Internacional Contra a Discriminação Racial: racismo envergonha a humanidade

A CTB saúda o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 21 de março de 1969 em referência ao Massacre de Sharpeville na África do Sul nesse dia em 1960, onde mais de 20 mil negros protestavam contra a Lei do Passe do apartheid que obrigava os negros a possuírem uma carteirinha determinando os locais que poderiam freqüentar. A polícia abriu fogo contra os manifestantes matando 69 negros e ferindo outros 186.

No mundo inteiro a questão racial vem suscitando intensos debates faz tempo. Tentou-se dar base científica à prática discriminatória, mas os mais importantes estudiosos comprovam que foi com a propriedade privada que a humanidade começou a forjar ideologicamente “diferenças” raciais e os negros têm sido os principais alvos dessa discriminação.

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No Brasil foram quase quatro séculos e a população afro-descendente paga o pato até hoje de uma discriminação desenfreada e dissimulada por uma fictícia “democracia racial”. Vale lembrar o pensamento de Clóvis Moura, um dos mais importantes estudiosos da questão no Brasil. Ele mostra em seus livros como o racismo foi forjado ideologicamente com estratégia de dominação de uma classe sobre a outra e por isso hoje lutar contra o racismo, é lutar pela emancipação da humanidade.

Para permanecer somente no caso brasileiro, assisti-se diariamente a manifestações racistas na internet, na imprensa, na mídia de uma forma geral. Foi uma gritaria geral quando se começou a discutir no país a instituição de políticas afirmativas estabelecendo cotas para negros e índios nas universidades federais. Capas e capas de revistas, manchetes de jornais e telejornais contra o sistema de cotas. Porque o negro tem que conhecer o “seu lugar”. Mesma postura em relação aos rolezinhos nos shoppings em São Paulo, quando a inesperada visita de jovens negros quase todos, pobres na totalidade assustou lojistas de shoppings de “alto padrão” econômico.

A situação de mais da metade da população brasileira tem melhorado na última década com O Programa Universidade Para Todos (ProUNi), as cotas em universidades e a política de distribuição de renda como o Bolsa Família. Mas ainda está longe da almejada igualdade. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que de 2003 a 2013 a renda dos negros cresceu 51,4% no Brasil enquanto a dos brancos subiu 27,8%. Mesmo assim a renda dos negros é 42,6% inferior a dos brancos.

O levantamento mostra ainda que a população negra sofre mais com o desemprego e mora em condições piores que os brancos. O salário médio mensal da população branca no Brasil no ano passado foi de R$ 2.396,74 por mês, enquanto o da negra foi de R$ 1.374,79. Daniel Cerqueira, um dos organizadores do estudo, afirma que "o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele".

Para comprovar as afirmações, Cerqueira apresentou estatística demonstrando que as maiores vítimas de homicídios no Brasil são homens jovens e negros, "numa proporção 135% maior do que os não negros: enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes".

A Constituição de 1988 em seu artigo 5.º classificou a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. Mesmo assim pesquisas recentes apontam que para cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras no país. Em pleno século 21, o racismo ainda envergonha a humanidade.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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