Economistas preveem juros de um dígito até fim de 2013
O juro de um dígito veio para ficar e o mercado brasileiro terá de aprender a conviver com essa novidade no cardápio da política monetária. Essa perspectiva passou a ser contemplada pelos departamentos econômicos das instituições financeiras, embora não haja consenso sobre ela.
O Valor Data consultou ontem 34 economistas para conhecer suas previsões sobre as próximas decisões do Banco Central na fixação da Selic. Desse grupo, 25 preveem a manutenção da taxa nos atuais 7,50% ao ano na reunião do Copom da próxima semana e 9 esperam redução de 0,25 ponto percentual. Os mesmos 25 economistas preveem a manutenção dessa taxa até o fim de 2012, mas 18 acham que ela chegará a 9% em dezembro de 2013.
Os economistas entendem que a Selic será mantida em um dígito por um longo período por duas razões. De um lado, o governo, ainda que tendo a intenção de estimular a economia, aprendeu a driblar pressões inflacionárias com desonerações setoriais. De outro, tanto o BC quanto a Fazenda aprenderam a fazer bom uso de medidas macroprudenciais como ação complementar à taxa de juros.
As desonerações, entretanto, podem ajudar a complicar a política fiscal. O resultado fiscal do setor público até agosto e a perspectiva de pressão adicional pelo lado da despesa no último trimestre consolidaram entre economistas a visão de que o governo não conseguirá cumprir a meta de superávit primário para 2012, estabelecida em 3,1% do PIB. Mesmo o desconto dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), previsto em lei, pode ser insuficiente para que o objetivo fiscal perseguido pelo governo seja alcançado. A expectativa para o ano que vem é a de que o superávit também não alcance a meta.
O próprio BC, em seu último Relatório de Inflação, diz que "iniciativas recentes apontam o balanço do setor público se deslocando de uma posição de neutralidade para ligeiramente expansionista".
Fonte: Valor Econômico
