Em 2008, ICV DIEESE fica em 6,11%
Em 2008, o Índice do Custo de Vida calculado pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (ICV-DIEESE) - acumulou alta de 6,11%. A taxa é o maior aumento anual apurado desde 2004, quando correspondeu a 7,70%. No entanto, em comparação com a variação acumulada para o período de 12 meses encerrado em novembro, houve queda, uma vez que naquele mês o aumento chegou a 7,16%.
Ao se considerar os diferentes estratos de renda pesquisados1, o DIEESE apurou o aumento mais elevado - de 6,75% - para as famílias de menor aquisitivo, pertencentes ao estrato 1. Para os estratos subsequentes, as taxas são menores: estrato 2, 6,16% e estrato 3, 5,92%.
Comportamento dos preços em 2008:
Os aumentos verificados em 2008 deram-se de maneira bastante heterogênea entre os grupos que compõem o ICV-DIEESE. Para uma inflação de 6,11%, as maiores altas foram apuradas na Alimentação (9,90%), Habitação (7,65%) e Despesas Pessoais (7,08%). Já as menores variações foram detectadas nos grupos: Equipamento Doméstico (-1,38%), Vestuário (0,53%), Recreação
(1,68%) e Transporte (2,16%). Os grupos Saúde (4,44%) e Educação e Leitura (5,25%) tiveram aumentos mais próximos do apurado para o índice geral em 2008.
Na Alimentação, todos os subgrupos apresentaram altas marcantes, com os produtos in natura e semi-elaborados registrando elevação de 10,53%. O comportamento dos itens foi o seguinte:
- Frutas (2,78%) - foi verificada alta acentuada no preço do limão (66,85%) e queda no da laranja (-8,50%);
- Hortaliças (-8,70%) - houve redução em quase todos os seus produtos, em especial na alface (-13,85%) e escarola (-14,41%),
- Legumes (27,90%) - a taxa elevada deste item deve-se ao aumento acentuado no preço do tomate (66,52%);
- Raízes e Tubérculos (-7,06%) - a redução origina-se no comportamento verificado para o preço da batata (-22,57%);
- Grãos (5,00%) - neste item foram observados comportamentos distintos, com alta para o arroz (33,56%) e baixa acentuada no feijão (-32,00%);
- Carnes (21,74%) - houve aumento para a carne bovina (21,96%), em especial as de 2ª (32,11%) e os miúdos de boi (40,13%). A suína (18,07%) também subiu de forma
acentuada;
- Aves e Ovos (8,67%) - a variação resultou do aumento no preço do frango (10,86%),uma vez que os ovos (2,75%) praticamente não tiveram alteração de valor.
Para os produtos da indústria alimentícia o aumento foi de 8,07%. As maiores taxas foram detectadas nos seguintes produtos: pertences de feijoada (27,47%), pão francês (19,15%), hambúrgueres e almôndegas (18,63%), açúcar (14,91%), pão de hot dog (14,42%), pão de hambúrguer (14,35%), massas secas (14,11%), leite longa vida (13,72%), peixes enlatados (12,42%) e farinha de trigo (11,36%) e as menores variações nos seguintes bens: café solúvel (-10,01%), leite condensado (-10,45%), leite em pó (-7,57%), creme de leite (-4,69%) e café em pó (1,59%).
No caso da Alimentação fora do domicílio (11,96%), os dois itens que a compõem tiveram alta, de 12,33%, para a refeição principal e de 11,45%, para os lanches.
Na Habitação (7,65%), o maior aumento foi apurado para o subgrupo Conservação do domicílio (10,15%), no qual foram observadas elevações tanto nos materiais de construção (11,61%) como na mão de obra (8,73%). Entre os materiais, as maiores taxas foram detectadas nos seguintes produtos: cimento (30,56%), areia (27,41%), tijolo (25,33%), telha (19,71%) e cal (17,66%). O subgrupo Locação, impostos e condomínio subiu 8,04%, com destaque para o condomínio (12,00%), enquanto a locação de imóvel (6,86%) acompanhou a inflação deste ano. A
menor variação - de 6,83% - foi registrada para a Operação do domicílio, pois os aumentos nos serviços públicos (5,50%) não foram acentuados. No entanto, cabe apontar o reajuste no gás de rua (17,72%) e as elevações observadas nos valores do serviço doméstico (10,08%) e nos produtos de limpeza doméstica (10,12%).
Neste caso, chama atenção o extraordinário aumento do sabão em pedra (56,96%). Nas Despesas Pessoais (7,08%), a taxa elevada deve-se à alta ocorrida nos produtos de higiene (10,62%), com destaque para sabonete (29,36%), desodorante (12,91%) e papel higiênico (11,39%).A queda verificada em Equipamento Doméstico (-1,38%) teve origem na diminuição nos preços dos eletrodomésticos (-3,14%), rouparia (-0,51%) e móveis (-0,42%), e pequena variação foi detectada no subgrupo utensílio (2,14%).
Os preços do grupo Vestuário (0,53%) apresentaram taxas distintas, com queda nas roupas (-1,64%) e alta nos calçados (4,14%). As despesas com Transporte subiram 2,16%, com variações pequenas tanto no individual (2,39%) como no coletivo (1,62%). O aumento do grupo Saúde (4,44%) se deu de forma semelhante entre seus subgrupos: assistência médica (4,51%) e medicamentos e produtos farmacêuticos (4,13%), ambos inferiores à inflação anual. O grupo Educação e Leitura (5,25%) também apresentou alta de preços de acordo com a
inflação deste ano, com as seguintes taxas em seus subgrupos: educação (5,32%) e leitura (4,11%).
DIEESE
