Em ato no Palácio do Planalto, educadores dizem não ao golpe
Diversos representantes do movimento educacional participaram na manhã desta terça-feira (12/4) em um ato no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Os educadores relembraram os significativos avanços na área da educação promovidos nos últimos anos, além de entregarem um manifesto assinado pelas entidades, que rechaçam o golpe de estado em curso no país.
A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, relembrou em sua fala os anos de resistência da entidade em defesa do país. "Nós somos a UNE da legalidade, lutamos há décadas em defesa da constituição, durante o golpe militar, fomos Honestino Guimarães e Helenira Rezende, que entregaram suas vidas pela democracia, somos a UNE do fora Collor, inclusive o STF reconheceu nossa entidade como autoridade durante a votação que ocorreu sobre como seria aplicado o rito do impeachment".
"A universidade mudou muito de cara nos últimos anos, agora existem negros, o filho do pedreiro hoje acessa o ensino superior através do ProUni. Através dessa nova representatividade, já criamos mais de 100 comitês universitários em defesa da democracia. Esses estudantes não se sentem representados por Cunha, Michel Temer e Bolsonaro e consideram que, impeachment sem crime de responsabilidade é golpe", denuncia Carina.
Representando a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais (Andifes), a professora Maria Lucia Cavalli apontou o quanto as universidades federais foram beneficiadas nos últimos anos dos governos Lula e Dilma, ao contrário do presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso, que não criou uma instituição de ensino superior em 8 anos. "Houve uma relevante expansão do ensino superior no país, junto com o Reuni, houveram a ampliação do número de vagas, saltando de 500 mil para 1 milhão de novas matrículas, ocorreu a construção de novos campos, criação de novos cursos, contratação de mais docentes, ou seja, uma significativa ascensão social de famílias ocorreu através desse processo. Por isso e por não haver nenhuma denúncia que pese sobre a senhora, 63 reitores das universidades federais dizem não ao golpe, Dilma é uma figura com muita honestidade", avalia.
A estudante de medicina bolsista do ProUni, Suzane Pereira, disse que, se não fossem os programas de promovidos durante os últimos12 anos, o seu futuro era certo: "Como mulher, negra e periférica, poderia ser uma excelente babá, faxineira ou doméstica, mas políticas de inclusão mudaram o meu destino. O que eu não aguento mais é lutar contra o retrocesso, contra as tentativas de retirarem direitos arduamente conquistados, nossa luta deve ser pois mais avanços, pelo combate ao racismo que ainda é tão presente em nossa sociedade".
Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara participou do ato e afirmou que apoia incondicionalmente o mandato da presidenta, pois é a representação legítima das urnas. "O que está em jogo aqui é a defesa da democracia, de um mandato constitucional e também da nossa constituição. Continuamos na luta pela taxação de imposto das grandes fortunas, pela CPMF, para conquistar mais acesso à educação", argumenta.
Heleno Araújo, coordenador do Fórum Nacional de Educação (FNE) salientou os avanços nos últimos anos dos governos Lula e Dilma no que diz respeito a participação popular nos rumos da educação. "As Conferencias de Educação, o Fórum Nacional de Educação, a participação no PNE, significa a democratização da participação da sociedade civil organizada nos rumos do país, são conquistas dos avanços obtidos nos governos Lula e Dilma".
Antes da presidenta Dilma discursar, o ministro da educação Aloísio Mercadante fez um resgate dos acontecimentos no país nas últimas décadas, demonstrando que ameaças golpistas sempre estiveram presentes e afirmou que a história sempre reserva o ostracismo aos que ameaçaram derrubar as democráticas estabelecidas. “A primeira vítima, em toda a guerra, é a verdade. Todos os governos que começam com golpe, terminam com tortura e medo”.
Aos gritos da plateia de que não vai ter golpe, os representantes das entidades em luta pela educação, entregaram manifestos à Dilma que rechaçam a tentativa de golpe no país e em defesa da democracia.
Também participaram do ato a Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG), o filósofo e professor Demerval Saviani, A Confederação Nacional de Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional (Conif), Roberto Franklin de Leão coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o ministro da Ciência e tecnologia Celso Pansera.
Do Portal Vermelho
