Em nome da unidade, centrais afinam pauta para reunião com o governo

Ao
longo da última semana, parte da imprensa veiculou que o governo
federal iria apresentar sua própria pauta para ser discutida com as
centrais. Na reunião desta segunda-feira (realizada na sede nacional da
UGT), os sindicalistas lembraram que suas reivindicações já foram
expostas a Dilma e que agora o momento é de ouvir o que o Executivo tem a
oferecer, para então se iniciar uma mesa de negociação.
Durante a
conversa desta segunda-feira, coube ao presidente da CTB, Wagner Gomes,
fazer a defesa da unidade das centrais. Ele recordou dos avanços
conquistados ao longo do governo Lula e da realização da segunda
Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), momentos em que a
união prevaleceu. “Não podemos deixar de lado a parte que nos une, pois
é isso que garante a unidade das centrais. Se levarmos outros pontos de
pauta, poderemos perder o foco naquilo que temos consenso. A unidade
das centrais está acima de qualquer diferença que possamos ter”,
salientou.
Dessa forma, os sindicalistas definiram que,
independentemente daquilo que o governo se mostrar disposto a dialogar,
as centrais não deixarão de lado suas bandeiras, entre elas a defesa da
redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário – itens
que, segundo a imprensa, não fariam parte da reunião da próxima semana.
Cobranças
Para
o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro, uma vez definida essa
postura, as centrais sindicais terão que ser duras com o governo, pois
várias de suas reivindicações já foram expostas inúmeras vezes. Ele
citou como exemplo a questão da regulamentação da Convenção 151 da OIT
(sobre negociação coletiva e direito de greve dos servidores): “Não
temos mais o que discutir com o governo esse tema. Já o expomos em todos
os fóruns possíveis e agora cabe ao governo uma posição”, afirmou.
Para
o secretário de Política Sindical e Relações Institucionais da CTB,
Joílson Cardoso, é importante que as centrais deixem claro para o
governo federal que já existe um grande acúmulo de estudos e discussões a
respeito de cada um dos pontos de reivindicação. “Posso citar a questão
da ratificação da Convenção 158 da OIT [sobre a rotatividade] ou o
debate sobre terceirização. As centrais têm propostas para ambos e o
momento é de agir e cobrar o governo por uma posição definitiva. Esse
acúmulo que temos não pode ser desprezado”, sustentou o dirigente.
Pauta
Além
das oito reivindicações entregues ao governo federal em 6 de março, as
centrais compreenderam que, para a reunião da próxima semana, também
deverá ser colocada em discussão a regulamentação da chamdada PEC das
Domésticas". Dessa forma, a pauta será composta dos seguintes itens:
- Fim do fator previdenciário
- Redução da jornada de trabalho para 40h semanais, sem redução de salários
- Educação: 10% do PIB para o setor
- Saúde: 10% do PIB para o setor
- Reforma agrária
- Valorização das aposentadorias
- Ratificação das convenções 151 e 158 da OIT
- Mudanças na política macroeconômica
- Regulamentação da PEC das Domésticas
Fernando Damasceno – Portal CTB
