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Embaixador da ONU vem ao Brasil e detona ração humana de Dória

O atual embaixador da ONU contra fome, Carlo Petrini, veio ao Brasil nesta última semana para eventos de sua organização em São Paulo, e não ficou nada satisfeito ao saber dos mais recentes planos da cidade para erradicar a fome.

A prefeitura anunciou, entre outras medidas, a distribuição para a população de baixa renda um composto industrializado, a farinata, feito com alimentos que seriam descartados. Ao defender suas propriedades nutricionais, o prefeito João Doria (PSDB) disse se tratar de um alimento "abençoado" e o comparou a "comida de astronauta".

Seus críticos, porém, apelidaram o composto de "ração para pobre". Em reação a isso, Doria reafirmou o que falou na TV há alguns anos, quando comandava um reality show: "O pobre não tem hábito alimentar, tem fome". "Dizer isso é uma loucura. Esse é um prefeito muito, muito limitado", afirmou Petrini à BBC Brasil.

Petrini diz que o contingente de pessoas que passam fome no mundo deve aumentar. Ele acompanha o levantamento de dados da FAO e afirma que, dos 815 milhões atuais, deveremos passar de 850 milhões no próximo ano por causa de "guerra, terrorismo e miséria".

Na América Latina, o número de pessoas nessa situação cresceu 6% no ano passado, de acordo com dados da ONU, passando para 42,5 milhões de pessoas, ou 6,6% dos habitantes da região, enquanto o Brasil manteve o índice abaixo de 2,5% dos seus 207,7 milhões de habitantes.

Diante dos argumentos de que a produção agropecuária em massa é necessária para alimentar os 7,6 bilhões de habitantes do mundo, Petrini garante que isso "não é verdade".

"Essa é uma ideia de uma economia doente. Hoje, produzimos comida suficiente para 12 bilhões de pessoas, mas 35% vai para o lixo. Isso é ridículo e vergonhoso. A primeira coisa que temos de trabalhar é o desperdício", defende.

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