Empresas brasileiras empregam apenas 18% da cota de pessoas com deficiência exigida por lei
O índice é calculado a partir da estimativa de vagas que empresas com
cem ou mais empregados deveriam criar e do total de deficientes
incluídos no mercado de trabalho por força de ação fiscal. Os Estados com maior índice de cumprimento são Ceará e São Paulo, com
respectivamente 42,3% e 41,8%. Santa Catarina e Paraíba têm os menores
índices: 3,4% e 4%, respectivamente.
"Apesar de a situação ter melhorado muito desde que a lei foi criada, em
1991, e de haver várias iniciativas que estimulam a inclusão de pessoas
com deficiência, ainda há uma barreira cultural que impede a
contratação desses profissionais", diz Carlos Aparício Clemente. Ele é dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e
coordenador do Espaço da Cidadania.
Pesquisa feita para o Instituto Ethos com as 500 maiores empresas do
país mostra que, no nível operacional, apenas 1,9% dos funcionários eram
pessoas com deficiência em 2007. A maior parte eram deficientes físicos. Somente 0,1% dos contratados
eram deficientes visuais e 0,1% tinham deficiências múltiplas. Nos níveis de supervisão e gerência, os percentuais de deficientes eram
0,4% e 0,38%, respectivamente. Ou seja, as cotas estão longe de ser
cumpridas.
POR SETOR
Levantamento da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do
Estado de São Paulo mostra que os setores que mais contrataram
deficientes foram educação e comércio varejista.
Os que menos contratam são os de atividades ligadas à extração de carvão
e à descontaminação de resíduos -áreas em que a atuação dos deficientes
é limitada.
Na opinião de especialistas em assuntos relacionados à inclusão dos
deficientes, um dos maiores entraves para a contratação ainda é a baixa
qualificação.
Segundo dados do governo paulista, somente 222 deficientes foram
atendidos pelo programa estadual de qualificação profissional em 2008.
No ano passado, foram 1.272. A previsão para este ano é capacitar 1.500
deficientes.
Folha de São Paulo
