Empresas voltam a contratar só que com salários menores
Desde o final de 2016 até agora, companhias voltadas para a indústria automotiva e máquinas agrícolas voltaram a contratar. Porém, há uma observação no quesito contratação, já que as empresas estão apostando em profissionais muito jovens, estudantes, pois é mais fácil ajustar o salário.
A "juniorização" dos contratados, isto é, a admissão de profissionais mais jovens e menos experientes por um custo menor, conhecidos popularmente como estagiários, é uma alternativa para não sofrer tanto com as alterações no cenário da economia que possam ocorrer mais à frente.
O estudante do quarto ano de engenharia de produção Marcelo Clemente Pereira, de 26 anos, por exemplo, começou como estagiário na área de manufatura da empresa no meio do ano passado e, em outubro, foi contratado para o departamento de compras.
Como estagiário, ganhava entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, e agora recebe cerca de R$ 3 mil. Mas sonha melhorar o salário quando concluir o curso. O piso de um engenheiro recém-formado, segundo ele, é de R$ 4,5 mil.
Nas novas contratações feitas nos últimos meses, inicialmente são oferecidos salários 20% e 30% menores, e depois as empresas ainda estão conseguindo efetivamente contratar com redução de 15% nos salários, em média.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na quinta-feira (16/3), mostram que 35.612 novos postos foram criados em fevereiro. Esse resultado foi ainda o maior para o mês desde 2014, quando foram gerados 260 mil postos.
As contratações efetivadas cresceram 7% na mesma base de comparação. A reação aconteceu após 18 meses seguidos de queda nas admissões na comparação anual.
