Encontro Estadual dos Bancos Públicos define proposta de pauta de reivindicações
O professor da Ufba, Renildo Souza, alertou para o fato de as empresas privadas sempre cobrarem juros altos. Por isso, o papel das instituições financeiras públicas é essencial na busca de um melhor cenário para o país. No entanto, é preciso valorizar os trabalhadores, verdadeiros responsáveis pelo crescimento do Brasil.
Os bancários também debateram sobre o processo negocial. Como todos os anos, a Fenaban vai utilizar desculpas para não atender a pauta de reivindicações da categoria. Uma delas é a queda dos juros. Mas, os trabalhadores sabem que as empresas não reduziram todas as taxas e ainda fazem uma série de imposições para os correntistas, ou seja, a maioria não é beneficiada. Tem mais, para compensar a queda, os bancos aumentaram consideravelmente as tarifas.
Segundo o economista do Dieese, Adriano Almeida, o grande problema do Brasil é a falta de investimento em tecnologia. O país importa cerca de 50% da tecnologia de ponta, fato que vai de encontro ao desenvolvimento. Com isso, o país fica dependente da exportação das comódits primárias. "Para desenvolver é preciso financiar esse tipo de investimento e os bancos privados não têm interesse, visto que é mais rentável trabalhar na área do consumo. É neste sentido que os públicos têm responsabilidade", diz.
Quem participou das discussões ficou satisfeito. "O mais importante é o entrosamento das questões entre as bases. Acho que deveríamos ter mais plenárias como essa", afirma o bancário do BB, Luiz Cláudio Café.
Pauta de reivindicações - No encontro, os funcionários do Banco do Brasil, da Caixa e do BNB definiram a pauta de reivindicações que vão defender nos congressos nacionais. Entre os itens, aumento real de 10%.
No BB, os bancários reivindicam ainda a recomposição das perdas salariais, ocorridas no governo FHC, isonomia, o fim dos correspondentes bancários, do assédio moral e o cumprimento da jornada de 6h com intervalo de 15 minutos.
No debate específico do BNB, o destaque foi a necessidade de todos os sindicatos da Bahia estarem representados no evento nacional. Os funcionários querem que o congresso aconteça no mesmo período dos da Caixa e BB, entre 15 e 17 de junho. Na minuta também, o fortalecimento do banco e da região Nordeste, o pagamento integral e imediato das horas extras.
Os debates da Caixa foram mais calorosos. Na pauta, isonomia, recuperação das perdas salariais, propostas relacionadas ao PCR (Plano Complementar de Resultados) e ao PSG (Plano de Funções Gratificadas) e jornada de trabalho.
Os baianos deram o primeiro passo para a campanha salarial, que, sem dúvidas, foi bastante positivo. "Esse foi o maior encontro dos últimos anos", comenta Emanoel Souza, presidente da Federação da Bahia e Sergipe.
Delegados - Durante o encontro foram eleitos também os delegados que vão participar dos congressos nacionais dos bancos públicos. Do BB são: Fabio Lêdo, Humberto Almeida, Lucas Galindo, Antônio Varjão, Renata Mallet e Érica Mendonça. Ainda faltam ser escolhidos os 11 representantes do interior. O prazo para a definição é quarta-feira (06/06).
Os representantes da Caixa foram eleitos de outra forma. A eleição foi através de chapas que têm direito a indicar uma quantidade de delegados dependendo do número de votos recebidos. A chapa CTB/MNOB obteve 33 votos e, por isso, tem direito a oito delegados. A chapa de articulação vai indicar outros cinco. Os aposentados, quatro delegados.
O caso do BNB é diferente. Os delegados são eleitos em assembleia, ainda sem data marcada. No entanto, o diretor do Sindicato da Bahia, Antônio Galindo, convoca todos os sindicatos do Estado a enviarem representantes. "É fundamental a presença de todas as entidades da Bahia", afirma.
