Entrevista com Delson Coelho: “Direção do BB mantém a postura agressiva”
Demissões
imotivadas, metas abusivas, assédio moral e descomissionamentos
irregulares. Essa tem sido a postura do Banco do Brasil em âmbito
nacional. Nessa entrevista, o presidente do Sindicato, Delson Coêlho,
faz um alerta.
Qual a avaliação do cenário do BB no contexto atual?
De forma acintosa, a direção do Banco do Brasil tem adotado a mesma lógica de um banco privado.
Na prática, como tem sido esse processo?
Um funcionário que não atinge as metas acaba sendo transferido para uma
unidade menor, com redução salarial. Temos agências em que todos os
funcionários estão sendo avaliados com o mesmo perfil. Se é para avaliar
todos os colegas com um perfil único, não se justifica fazer essa
mensuração.
Se um colega move uma ação judicial contra o banco, por ter seu direito
desrespeitado, acaba sofrendo retaliação e já temos processos de
demissões decorrentes disso. Os acordos coletivos assinados estão sendo
“rasgados” pelos gestores.
Nas negociações com o movimento sindical, qual tem sido a postura do BB?
A direção do banco está se negando ao diálogo. Quando age, torna-se
unilateral, como recentemente durante a implantação de um novo plano de
funções que reduziu o salário de alguns funcionários em até 16%.
Apesar das nossas mobilizações em âmbito nacional, a direção do BB
mantém a postura agressiva contra o seu trabalhador. Diante desse
cenário, o movimento já cogita uma greve nacional e essas questões serão
aprofundadas no Encontro Nacional e Estadual do BB, previstos para
abril e maio.
O governo federal também foi acionado?
Sim. A presidente da República sinalizou que já estava sabendo das
dificuldades enfrentadas pelos funcionários do BB. Nesse momento, nosso
desejo é que o governo federal, enquanto acionista majoritário, atue
contra essa política quase truculenta do banco.
Por fim, quero salientar que os colegas devem fazer as denúncias junto
ao Sindicato, pois estamos nos resguardando do ponto de vista jurídico e
de mobilização.
SEEB-VC
