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"Estatizações" já custam US$ 1 trilhão a governo dos EUA

O resgate da seguradora AIG efetuado pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) nesta terça-feira, com um empréstimo de US$ 85 bilhões, fez o volume de recursos empregados pelo governo americano na atual crise financeira ficar entre US$ 900 bilhões e US$ 1,5 trilhão, ou cerca de 10% do PIB norte-americano, e pode subir mais, segundo reportagem de Sérgio Dávila, publicada na edição da Folha desta quinta-feira.

O valor empregado pelo governo para salvar a AIG e outras empresas financeiras americanas como o Bear Stearns e as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac "assusta não só por acontecer no país que é o bastião do capitalismo de livre mercado mas porque abre a porta para futuras operações, de outras instituições e setores da economia", diz a reportagem.

"Pode ser muito mais, dependendo de quantos bancos mais terão de ser resgatados", disse à Folha o acadêmico Edward Hadas, autor de "Human Goods Economic Evils" (ISI, 2007) e colunista do blog econômico Breakingviews.com. "Para ser franco, depois de um certo ponto, esses cálculos já não fazem mais sentido."

No último dia 7, o Departamento do Tesouro anunciou um pacote de até US$ 200 bilhões para ajudar a Fannie Mae e a Freddie Mac, a fim de impedir que quebrarem. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que as duas empresas são "tão grandes e tão importantes em nosso sistema financeiro que a falência de qualquer uma delas provocaria uma enorme turbulência no sistema financeiro de nosso país e no restante do globo".

Já o Banco de investimentos Lehman Brothers, também abalado pela crise, teve de apresentar à Corte de Falências dos EUA um pedido de concordata. O banco, atingido pela crise financeira, não conseguiu levantar capital junto a outros bancos privados e o governo se recusou a ajudar a instituição.

Sobre o Lehman, Paulson disse que nunca considerou apropriado usar dinheiro dos contribuintes para salvar o Lehman. Para ele, não é simples ter de decidir colocar em risco dinheiro dos americanos para salvar uma companhia privada. O secretário acrescentou que o governo intervir para salvar uma empresa privada, isso encoraja outras empresas a se envolverem em comportamento de risco.

O presidente americano, George W. Bush, no entanto, manifestou seu apoio ao plano salvar a AIG. Para ele, a medida "promoverá a estabilidade dos mercados financeiros". "O presidente apóia o acordo anunciado pelo Federal Reserve. Estes passos são tomados no interesse de promover a estabilidade dos mercados financeiros e de limitar o dano à economia em geral", destaca uma nota divulgada pela Casa Branca.

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