FAT recebe R$ 5,5 bi do Tesouro para fechar conta
O Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) só conseguiu fechar 2012 com superávit com a ajuda do Tesouro Nacional. O governo injetou R$ 5,5 bilhões no fundo, que encerrou o ano com resultado positivo de R$ 2,974 bilhões. Para este ano, com a adoção de medidas para reduzir despesas, a previsão é que o fundo receba R$ 3,3 bilhões do Tesouro. A informação foi publicada com exclusividade no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

O
presidente do conselho curador do FAT, Marcelo Aguiar, ressaltou a
necessidade de buscar o equilíbrio financeiro. "As despesas crescem numa
taxa maior que as receitas, por causa do reajuste do salário mínimo e
do aumento do número de trabalhadores formais na economia", afirmou.
Esse "desequilíbrio" é influenciado ainda pela elevada rotatividade dos
trabalhadores, pela perda de receita por desonerações tributárias e
transferência para o Tesouro Nacional de 20% da arrecadação do
PIS-Pasep, principal fonte de receita do FAT, referente à Desvinculação
de Receitas da União (DRU), prorrogada até 2015. Os aportes do Tesouro
têm ocorrido como forma de compensar parte da receita da DRU.
Para tentar desacelerar o ritmo de expansão dos gastos, estão sendo
estudadas várias medidas. Uma delas, adotada em janeiro, foi a troca do
índice de correção do seguro-desemprego para valores superiores ao
salário mínimo, o que provocou uma série de críticas das centrais
sindicais.
Desde 1998, o benefício era corrigido pelos mesmos
critérios do salário mínimo, e neste ano vai considerar a variação do
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que cresceu 6,2%. O
mínimo foi reajustado em 9%. Aguiar ressaltou que a iniciativa não
prejudica os trabalhadores, porque 70% deles recebem benefício
correspondente a até um salário
Outra medida que está sendo
avaliada é a criação de alíquotas diferenciadas de contribuição para o
FAT, usando como base a rotatividade dos trabalhadores nos diversos
setores econômicos. As empresas com rotatividade alta pagariam taxa
adicional ao FAT. As que conseguissem reduzir, teriam um "bônus".
Também está sendo considerada a possibilidade de alterar a regra do
seguro-desemprego. A ideia é exigir do desempregado a realização de um
curso de qualificação na segunda vez que solicitar o benefício no
período de dez anos. Atualmente, a exigência é feita no terceiro pedido
em dez anos. A mudança depende de negociação com o Ministério da
Educação.
Aguiar descartou mudanças nas regras do abono
salarial como forma de diminuir os gastos. O abono salarial do
trabalhador, que funciona como um 14º salário, é considerado pelo
governo federal um instrumento de distribuição de renda. Além disso,
segundo Aguiar, as medidas que vêm sendo estudadas são "mais que
suficientes para equilibrar as contas do FAT".
Pelo balanço do
FAT de 2012, as receitas do fundo referentes à contribuição do PIS-Pasep
somaram R$ 37,9 bilhões no ano passado, descontados 20% da DRU. Isso
representa um aumento de apenas 1,05% ante o registrado em 2011 (R$
37,519 bilhões).
As despesas do fundo subiram bem mais. Tiveram
uma expansão de 13,95%, passando de R$ 35,524 bilhões em 2011 para R$
40,481 bilhões. Esses valores não consideram os repasses feitos ao
BNDES, que somaram R$ 15,061 bilhões no ano passado. Em 31 de dezembro
do ano passado, o FAT tinha cerca de R$ 171 bilhões aplicados em bancos,
sendo que R$ 141 bilhões no BNDES.
Fonte: Valor Econômico
