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FIESP anuncia mais demissões

A FIESP divulgou hoje uma pesquisa apontando que duas em cada cinco indústrias de São Paulo pretendem promover demissões em massa nos próximos meses. Em média, os cortes deverão atingir 14,3% do quadro de pessoal. O anuncio surgiu após o Governo Federal ter anunciado medidas de desoneração tributárias em favor das empresas, atendendo aos setores que geram emprego, como construção civil  e indústrias automobilísticas.

De acordo com os cálculos da Receita Federal, desde o inicio do Governo Lula, R$ 140 bilhões deixaram de ser arrecadados em favor das empresas. Só em 2008, a Receita Federal prevê uma redução de R$ 200 bilhões na arrecadação de impostos para enfrentar as consequências da crise no mercado de trabalho.

Outro fato relevante da pesquisa patrocinada pela FIESP é que os empresários percebem que o pior da crise econômica já passou, porém 38% das 586 empresas pesquisadas pretendem promover mais cortes no quadro de pessoal.

Em entrevista à imprensa, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, disse que o momento pior pode já ter passado, mas a crise continua a causar estragos na atividade e no emprego industrial. "É mais ou menos como um alicate apertando o dedo", compara Francini. "Quando a pressão alivia um pouco, o sujeito diz oba, o pior já passou, mas o alicate continua apertando o seu dedo".

O problema é que o alicate só aperta os dedos dos trabalhadores, enquanto os empresários mantêm seus lucros e usam a crise como desculpa para readequar o setor produtivo, reduzir salários e benefícios, atacando os direitos e conquistas dos trabalhadores.

Segundo a FIESP, a pesquisa revela ainda que o porcentual das empresas que têm planos de demitir é maior entre as que já dispensaram trabalhadores nos últimos meses. Até fevereiro, as empresas fecharam 236,5 mil postos de trabalho, o que corresponde a um corte de quase 10% no número de empregos que existia no Estado em setembro de 2008.

Segundo pesquisa CNI/Ibope, realizada entre os dias 11 e 15 de março, o desemprego é a principal preocupação dos brasileiros para os próximos seis meses, mas os empresários demonstram não ter nenhuma responsabilidade social e querem que os trabalhadores paguem pela crise que não criaram.

Para a CTB, a pesquisa da FIESP demonstra que deterioração do mercado de trabalho é um retrocesso que precisa ser combatido pelo movimento sindical, evidenciando a necessidade de intensificar a unidade dos trabalhadores contra o oportunismo dos empresários.

Flaldemir Sant'Anna - Portal CTB
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