Fundos FGTS Petrobras já perderam 41% desde a capitalização da estatal
Só a decisão de pagar um dividendo menor para os detentores de ações ordinárias (ON) em relação aos preferencialistas (que têm papéis PN), anunciada pela Petrobras no dia 5, provocou uma perda de 8,25% nos fundos FGTS que aplicam na petrolífera, segundo levantamento feito pela Economatica a pedido do Valor. Os valores dos proventos ficaram em R$ 0,47 por papel ON e R$ 0,96 por PN.
A medida provocou uma queda de 8,28% nas ações ordinárias no dia 5 de fevereiro, que atingiram a menor cotação desde janeiro de 2006. A Petrobras, que precisa de recursos para seu ambicioso plano de investimentos, pretende economizar R$ 3,5 bilhões com a medida. O lucro líquido da estatal caiu 36% em 2012 em relação ao ano anterior, para R$ 21,2 bilhões.
Os fundos mútuos de privatização (FMP) foram criados na década de 2000 para aplicar os recursos disponíveis em ações de empresas que estavam sendo privatizadas pelo governo federal na época. O primeiro a nascer foi o FGTS Petrobras, atualmente com um patrimônio de R$ 2,8 bilhões e 77, 8 mil cotistas, em média.
Os investidores destes portfólios que participaram da capitalização da companhia dez anos mais tarde (em setembro de 2010), quando a estatal captou R$ 120,2 bilhões em uma oferta de ações para financiar a exploração no pré-sal, acumulam uma perda de 41,26% desde o aumento de capital da estatal - referente a desvalorização das ações ONs no período. Na época, os cotistas puderam investir, com recursos próprios, o equivalente a 30% do saldo que detinham nos fundos mútuos de privatização da petrolífera.
Alguns bancos constituíram carteiras específicas para aplicar essas alocações, como o caso da Caixa. O fundo lançado pelo banco para abrigar os recursos extras dos cotistas no aumento de capital da Petrobras conta hoje com patrimônio de R$ 25 milhões.
No mesmo período, os fundos de FGTS que aplicam em ações da Vale acumulam uma perda de 12,71%. Estas carteiras têm patrimônio de R$ 3,7 bilhões e reúnem em média 215, 2 mil cotistas.
Uma opção para os investidores dos fundos FMP FGTS Petrobras insatisfeitos com as perdas recentes é migrar para os portfólios FGTS da Vale. Outra é transferir o dinheiro para carteiras mútuas de privatização livre, que têm uma posição menor em ações da estatal.
O fundo FMP-FGTS Carteira Livre da Caixa, o Petrobras Renda Fixa 49, por exemplo, pode alocar até 33% do patrimônio em títulos públicos. "Esta carteira possui um perfil mais conservador, uma vez que tem uma exposição menor às ações da Petrobras e o investidor pode migrar para estes fundos para reduzir o risco", afirma Paulo Francisco de Souza, gerente nacional de fundos de renda variável da Caixa.
Desde o lançamento, em agosto de 2001, o fundo FMP FGTS Carteiras Livre da Caixa, que aplica em ações da Petrobras, acumula um retorno de 273,42%, inferior ao ganho de 430% acumulado no período pelo fundo FGTS Petrobras gerido pela instituição.
A migração não tem efeito fiscal, mas o investidor tem que permanecer pelo menos seis meses nesses fundos, explica Souza.
Para o presidente da BB DTVM, Carlos Takahashi, o investidor tem que olhar o horizonte de investimento. Se está pensando em utilizar os recursos no curto prazo, pode até migrar para os fundos FGTS Vale. Mas, se o objetivo for investir no longo prazo, é interessante ficar nos papéis da estatal. "A Petrobras está investindo para lá na frente distribuir maiores dividendos."
Se o cotista quiser sair desses portfólios, poderá retornar as aplicações para o FGTS "tradicional", que paga uma remuneração dada pela Taxa Referencial (TR), que está zerada atualmente, mais 3% ao ano. Neste caso, não poderá mais retornar para as carteiras de Vale e Petrobras. Takahashi lembra, no entanto, que não é um bom momento para o investidor sair, porque ele terá prejuízo.
Apesar da queda das ações da Petrobras nos últimos dois anos, a BB DTVM e a Caixa dizem não ter registrado grande saída de recursos nestes fundos. Mesmo com os prejuízos, quem aplicou nos fundos FGTS que alocam em ações da estatal desde o início acumulou um retorno superior ao que teria se tivesse deixado os recursos parados no FGTS. Enquanto os portfólios renderam em média 408% desde agosto de 2000, a remuneração paga pelo FGTS ficou em 81%. "No longo prazo, os fundos FGTS Petrobras e Vale tiveram boa performance", diz Marcelo de Jesus, superintendente de gestão de ativos de terceiros da Caixa.
Fonte: Valor Econômico
