Governo decide extinguir fator previdenciário; mas não adota fórmula 85/95
O governo desistiu, no entanto, da fórmula 85/95, sob o argumento de que ela não fecha a conta (85 é a soma da idade com o tempo de contribuição para mulheres e 95 é a soma aplicada aos homens). A discussão caminha para a fórmula 95/105.
O
pressuposto básico do projeto é que os cofres da Previdência não podem
ter prejuízo com o substituto do fator previdenciário. De 1999 até 2010,
o fator permitiu economia de R$ 31 bilhões. Neste ano, a conta deve ser
de R$ 9 bilhões.
Mas os estudos do governo mostram que o fator
tem apresentado efeito maior em reduzir o valor do benefício do que em
adiar a aposentadoria, segundo informou ontem o secretário de Políticas
de Previdência Social, Leonardo Guimarães.
Mesmo com o fator, o homem está se aposentando, em média, aos 54 anos e a mulher, aos 51,5 anos. "As pessoas veem apenas o curto prazo. O fator corta 30% do valor do benefício, em média, mas elas continuam trabalhando e a aposentadoria é vista como um complemento da renda. Só quando perdem a capacidade laboral elas sofrem com a decisão que tomaram", explicou, durante depoimento em audiência pública na Câmara.
A
avaliação do governo é de que o fator é um motivo de intranquilidade
para o trabalhador, pois muda todo ano com as tabelas de expectativa de
vida do IBGE. Por isso, gostaria que seu substituto fosse definido em
comum acordo com as centrais sindicais. As discussões prosseguem, mas
ainda estão longe do entendimento.
As centrais não querem uma
idade mínima para requerer aposentadoria, com o argumento de que os mais
pobres começam a trabalhar mais cedo e, por isso, contribuiriam mais.
Técnicos do governo consideram que apenas elevar o prazo de contribuição
(de 35 para 42 anos, no caso dos homens, e de 30 para 37, no das
mulheres) beneficiaria quem começa a trabalhar mais cedo.
A alternativa seria uma fórmula que contemplasse as duas variáveis: aumento da idade para requerer aposentadoria e do tempo de contribuição. O projeto de Garibaldi será entregue à presidente Dilma no fim de setembro para que ela o envie ao Congresso.
