Governo lança novos estímulos à indústria para conter desânimo
Fazenda prorroga redução de impostos para linha branca e estende
benefício a móveis, pisos laminados e luminárias. Projeções do BC
indicam que economia continuou devagar no início do ano e frustram
equipe econômica.
A equipe econômica da presidente Dilma anunciou
ontem novas medidas de estímulo à indústria, numa tentativa de reverter
sinais de que a economia continuou com o pé no freio em 2012.
Projeções
divulgadas ontem pelo Banco Central indicam que a atividade econômica
sofreu recuo de 0,13% em janeiro, depois de ficar praticamente estagnada
no segundo semestre de 2011.
Horas depois de o BC divulgar o
número, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou novas reduções de
impostos para a indústria, setor que mais tem sofrido com o esfriamento
da economia.
O governo prorrogou por mais três meses o corte do
IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos eletrodomésticos da
chamada linha branca (geladeira, fogão, máquina de lavar e de secar), em
vigor desde o fim do ano.
O governo também reduziu até junho o
IPI para fabricantes de móveis, pisos laminados e revestimentos, e
lustres e luminárias, três setores que se queixam de dificuldades para
competir com produtos importados.
Móveis e laminados tiveram a
alíquota de IPI zerada. A alíquota cobrada do papel de parede foi
reduzida de 20% para 10%, e o imposto de luminárias e lustres cairá de
15% para 5%.
O anúncio foi feito momentos antes de um encontro do
ministro com representantes da indústria na sede da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo).
Mantega diz ter cobrado
da indústria garantias de que os empregos nos setores beneficiados serão
mantidos. "A contrapartida é que não pode haver demissão", disse.
O
governo informou que as medidas de estímulo anunciadas ontem
representam uma renúncia de R$ 489 milhões para os cofres públicos.
Os
setores escolhidos pelo governo representam uma fatia pequena da
produção industrial brasileira, equivalente a menos de 3% do total, de
acordo com dados do IBGE.
Na semana passada, Dilma participou de
uma reunião com 28 banqueiros e empresários e prometeu empenho do
governo para defender a indústria nacional.
O ministro também
anunciou a inclusão das indústrias exportadoras, de autopeças, aviação e
naval no rol de setores beneficiados com medidas de desoneração da
folha de pagamento.
As novas projeções do BC frustraram as
expectativas da equipe econômica, que acreditava que a redução das taxas
de juros e outras medidas adotadas desde o ano passado para reanimar a
economia seriam suficientes para fazer a atividade recuperar o ritmo no
início deste ano.
A avaliação foi que a queda de 0,13% em janeiro
em comparação com dezembro poderia aumentar o desânimo dos agentes
econômicos e que, por isso, era necessário reagir. Daí a decisão de
anunciar ontem as novas medidas, que já estavam em estudo.
Para
analistas, a força da demanda doméstica, impulsionada pelo aumento do
salário mínimo em janeiro, impediu um recuo mais acentuado. "Enquanto a
produção industrial caiu forte em janeiro, outras coisas compensaram,
como as vendas no varejo e o mercado de trabalho", disse Rafael
Bacciotti, da consultoria Tendências.
Segundo sondagem divulgada
pelo BC ontem, analistas do mercado financeiro reduziram suas projeções
para o crescimento da economia neste ano de 3,3% para 3,23%.
Fonte: Folha de S.Paulo
