Governo usará BB e Caixa para ampliar competição em cartões
O governo federal vai usar a Caixa Federal e o Banco do Brasil para mais uma ofensiva na queda de braço com os bancos privados. O objetivo é jogar o peso dos dois principais bancos públicos do país para ampliar a concorrência na área de cartões de crédito. Com isso, o governo espera trincar o oligopólio da VisaNet e da Redecard, credenciadores exclusivos no Brasil das bandeiras Visa e Mastercard, respectivamente.
Depois de liderar a oferta de empréstimos durante a crise, essas instituições começam a pôr em prática um plano ambicioso. Na Caixa Econômica Federal, está sendo preparada uma nova frente de negócios para o segmento de baixa renda e há intenção de emitir até 30 milhões de cartões para esse público. Já o BB vai entrar não só com a bandeira do American Express, que já está sendo oferecido para os clientes de maior poder aquisitivo, mas também no segmento da nova classe média, os 20 milhões de brasileiros que nos últimos seis a sete anos deixaram a base e migraram para o meio da pirâmide social.
Nesse projeto, a Caixa e o BB querem repetir o sucesso da ação recente no crédito. Desde o agravamento da crise em setembro de 2008, essas instituições aumentaram a oferta de financiamentos e passaram a reduzir os juros para tentar normalizar as condições do mercado. O movimento deu certo e foi seguido pelas instituições privadas. Agora, a intenção do governo é aumentar a concorrência para elevar o uso dos pagamentos eletrônicos e, ao mesmo tempo, reduzir custos para os clientes e varejo.
Mais concorrência - O deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) apresentou na quarta-feira 8 o relatório final à comissão especial criada pela Câmara destinada ao exame e à avaliação aos efeitos da crise global no sistema financeiro e no mercado de capitais brasileiros.
O relatório traz três importantes recomendações. A adoção de medidas para aumentar a concorrência entre as empresas de cartões de crédito e de débito, o fim do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a transferência, do Banco Central para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), da obrigação de fiscalizar a concorrência bancária.
Para o setor de cartões, o relatório de Palocci propõe basicamente duas medidas: o fim dos contratos recíprocos de exclusividade entre as operadoras de cartão de crédito e as credenciadoras e o compartilhamento das máquinas que fazem a liquidação das operações.
SEEB-SP
