Greve dos petroleiros segue forte em todo o país e força Petrobrás reabrir negociação
Reabertura da negociação
A unidade nacional dos trabalhadores e o impacto da greve levaram a Petrobrás a reabrir a negociação com a FUP e sindicatos. A empresa agendou para às 15 horas desta terça-feira, reunião de negociação, em sua sede, no Rio de Janeiro.
Adesão à greve cresce
Os petroleirios da Replan (em Paulínia, São Paulo), a maior refinaria da América Latina, aderiram à greve nacional, cortando a rendição hoje (24) pela manhã, após a Petrobrás dificultar nos últimos dias a troca de turno dos trabalhadores. No OSBRA (oleoduto que liga São Paulo a Brasília), os trabalhadores também aderiram à greve e pararam por duas horas a produção nos terminais de Ribeirão Preto e Uberlândia. Mais trabalhadores dos campos de produção do Alto do Rodrigues e Mossoró, no Rio Grande do Norte, também somaram-se à greve nesta terça-feira (24). Em Minas Gerais, os trabalhadores da unidade de Biodiesel de Montes Claros também aderiram à greve na manhã de hoje. No Espírito Santo, os trabalhadores das unidades de produção de São Mateus e Linhares entraram na greve nesta terça-feira. No Ceará, os trabalhadores das plataformas de Curimã, Xaréu e Atum também deflagraram a greve, buscando o controle da produção.
Cárcere privado
A FUP e os sindicatos continuam tentando negociar com a Petrobrás os efetivos nas refinarias, onde os trabalhadores do turno continuam sendo retidos há quase 48 horas. É o caso da Regap (em Minas Gerais), Rlam (na Bahia), Reduc (em Duque de Caxias), Fafen (BA e SE) e Lubnor (CE). Na Reman (AM), Recap (Mauá-SP), Repar e SIX (Paraná), os sindicatos conseguiram liberar os trabalhadores que permaneciam retidos nas unidades desde à tarde de domingo (22). Na Repar (PR), o sindicato obteve liminar que obriga a Petrobrás a liberar os trabalhadores da equipe de contingência que permanecerem mais de oito horas na refinaria. Na Regap, em Minas Gerais, a gerência de refinaria não acatou decisão da justiça de liberar os trabalhadores, mesmo com uma liminar obtida pelo sindicato, obrigando a Petrobrás a negociar efetivo e produção.
Mesmo com interditos proibitórios, trabalhadores continuam em greve
Usando do mesmo expediente da Bacia de Campos, a Petrobrás ingressou com interdito proibitório para garantir a posse de todas as unidades da empresa na Bahia: refinarias, áreas de produção e terminais. O mesmo ocorreu nas unidades do Rio Grande do Norte e Espírito Santo. Apesar da arbitrariedade da Petrobrás, os petroleiros continuam fortes na greve.
Unidades sob controle dos trabalhadores
Apesar das ameaças e pressões das gerências da empresa, os petroleiros continuam controlando a produção em várias unidades da Petrobrás. Na Bahia, o campo de Jandaia, a maior área de produção de petróleo do estado, continua com a produção totalmente controlada pelos trabalhadores, que também têm sob controle outros campos nos municípios de Entre Rios e Esplanada. Nas plataformas do Rio Grande do Norte, os petroleiros também controlam 70% da produção de gás e petróleo. Também no Pólo de Guamaré, área de processamento de gás e óleo do estado, apenas uma unidade permanece em atividade, com carga mínima.
Os terminais de Solimões, no Amazonas, de Suape, em Pernambuco, e de Guarulhos, em São Paulo, também permanecem sob controle dos trabalhadores, assim como o gasoduto de Paratibe, em Pernambuco. O bombeio e transferência de produtos e derivados de petróleo e gás continuam controlados pelos petroleiros grevistas e sindicatos. No Terminal de Cabiúnas, em Macaé (Norte Fluminense), os trabalhadores controlaram a produção por 13 horas, mas foram coagidos pela Petrobras a entregar o terminal para a equipe de contingência da empresa. Das seis unidades de Cabiúnas, duas estão paradas.
Equipes de contingência mantêm produção a qualquer custo
A FUP e os sindicatos vêm denunciando as ações ilegais e autoritárias da Petrobrás para manter a produção a qualquer custo nas unidades, tentando impedir o legítimo direito de greve. As equipes de contingência que estão assumindo a produção no lugar dos trabalhadores, além de despreparadas, estão operando com efetivos muito abaixo do que é considerado seguro. Formadas por gerentes, coordenadores e supervisores, as equipes de contingência não têm capacidade de operarem as unidades, colocando em risco a segurança operacional e, consequentemente, potencializando as chances de acidentes.
EIXOS DE LUTA DA GREVE DOS PETROLEIROS:
Garantir os postos de trabalho nas empresas contratadas pela Petrobrás;
Acabar com a precarização das condições de trabalho e os acidentes que matam todos os meses os petroleiros;
Garantir o pagamento das horas extras dos feriados trabalhados;
Estabelecer o regramento e distribuição justa da participação nos lucros e resultados.
Fonte: FUP
