Insegurança nas agências bancárias
De segunda-feira até quinta-feira da semana passada, quatro agências foram assaltadas no Estado, três no interior e uma na capital, na Graça, um dos bairros mais luxuosos de Salvador. Nos últimos meses, foram registradas dezenas de ações de criminosos. Apesar da ousadia de bandidos, o que se percebe é que o principal responsável pela onda de medo nos bancos é o próprio setor financeiro. Sem investimento em segurança, não há como coibir a violência.
O Sindicato dos Bancários da Bahia já denunciou o descaso dos banqueiros, que não cumprem o Plano de Segurança, inclusive no que diz respeito ao número de vigilantes dentro das agências e nas áreas de auto-atendimento. Apesar de sujeitos à multa, os bancos negligenciam as normas. "A realidade demonstra que o dinheiro não está sendo investido onde deveria", destaca Euclides Fagundes Neves, presidente do SBBA.
A questão não é restrita à Bahia. O segundo maior roubo a banco do mundo aconteceu ao Banco Central, em Fortaleza (CE), em 2006, quando foram levados R$ 164 milhões.
Mesmo obtendo lucratividade recorde a cada ano - somente em 2007 foram R$ 57 bilhões-, o sistema financeiro destina muito pouco, uma parcela insignificante dos resultados, para assegurar mais segurança nas agências. Engorda os cofres em detrimento da integridade física de trabalhadores e clientes.
Assim como atinge bancos públicos e privados, a insegurança abrange também as redes terceirizadas, empresas chamadas de correspondentes bancários, como lojas, farmácias e outros estabelecimentos comerciais. A Caixa, por exemplo, segue à risca a trilha da irresponsabilidade. Lançou edital de licitação para a criação de 43 novas casas lotéricas, que não atendem as mínimas condições de segurança, embora façam circular altas somas em dinheiro vivo, oferecendo serviços de pagamentos e saques. Mais sensato seria ampliar o número de agências, contratar novos empregados e investir em equipamentos, como câmeras de filmagem e pessoal especializado.
Medo e terror no interior
A insegurança nas agências localizadas no interior do Estado tem aumentado consideravelmente. Em dois dias, três agências foram alvo de assalto. Na madrugada de terça-feira, foram assaltadas unidades nos municípios de Itamaraju, no BNB, e Poções, na agência do Banco do Brasil. Os bandidos utilizaram a mesma estratégia em ambos. Entraram por uma janela, desativaram o sistema de segurança e arrombaram o cofre com maçarico.
Na segunda-feira, a agência do BB em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, foi invadida por oito homens, que saquearam e espalharam o terror na cidade, deixando clientes e funcionários apavorados.
