Ipea avalia impactos da crise sobre o emprego no Brasil
O estudo analisa o nível de emprego entre o período de outubro de 2007 e março de 2008 e entre outubro de 2008 e março de 2009. "No primeiro movimento, percebemos que as cidades do interior que mais sofrem são as do sul e sudeste porque são cidades que concentram algum parque industrial. A crise, em primeira instância, é voltada para os setores da agricultura e da indústria ligados à exportação", explicou o diretor Jorge Abrahão, da Diretoria de Estudos Sociais do Ipea. Ele avalia, no entanto, que essas perdas "em parte estão sendo contrabalançadas pelos gastos públicos que conseguem manter a atividade econômica no interior, principalmente previdência e salário mínimo, que conseguem manter as economias voltadas para o serviço".
Segundo o documento, embora o Brasil seja, reconhecidamente, um dos países em melhor posição nas circunstâncias atuais, "os efeitos sobre o emprego merecem destaque por dois motivos: pelo impacto sobre as condições de vida da população e pelo fato de que a massa de rendimentos (determinada pelo nível de emprego e de salário) é um dos principais componentes da demanda interna - logo, sua evolução pode contribuir para abrandar ou ampliar os efeitos da crise".
Dividido em três seções, na primeira o documento apresenta os consensos de ideias para estruturar uma nova ordem mundial, na segunda descreve as reações na recente reunião do G-20 e a redefinição das instituições multilaterais e na terceira sintetiza os impactos da crise sobre o emprego no Brasil. Ao longo do estudo, são citadas referências bibliográficas e notas de tabela e gráfico. "O documento mostra que há uma queda no movimento de desenvolvimento de crescimento econômico e do crescimento do emprego formal", afirmou Jorge Abrahão. Para ele, os ajustes imediatos em reação à crise foram significativos no sentido de amenizar seus efeitos. "Medidas como a antecipação do salário mínimo e o programa Bolsa Família ajudam a economia e protegem a população mais vulnerável aos efeitos da crise", justificou.
As saídas da crise, segundo o diretor, dependem de um quadro complexo de decisões. "Uma das saídas já sabemos que é o mercado interno", ressaltou ao acrescentar às medidas do governo já citadas, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (geladeiras, fogões e máquinas de lavar ). "O mercado externo vai depender de acordos internacionais que não dependem só do Brasil, mas de um conjunto de países do G-20 que ainda discutem a regulação do mercado financeiro e ativação de organismos políticos internacionais", observou.
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