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Ivânia Pereira defende mais creche para mulher trabalhadora em encontro do MLT

"O desafio das mulheres brasileiras numa sociedade machista". Esse foi o tema da palestra proferida por Ivânia Pereira, secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, durante reunião do Movimento de Luta pela Terra (MLT), realizada esta semana Ivânia Pereira defende mais creche para mulher trabalhadoraem Brasília (DF).

Do evento participaram representantes do movimento de todo o País, e do Governo Federal e Congresso Nacional, a exemplo da deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) e a diretora de Ações Regionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Sônia da Costa.

Ivânia fez uma análise sobre a composição da sociedade brasileira, formada pela maioria absoluta de mulheres - 51% -, que têm mais anos de estudo que os homens. Apesar de estarem no mercado de trabalho - 42,4% da mão de obra ocupada - ganham 27% menos que os homens quando desempenham as mesmas funções.

Creches

Elas também passam mais tempo procurando emprego que os homens e, quando são chefes de família, essas famílias são as mais pobres. Um dado apresentado por Ivânia é preocupante: 57,8% das mulheres estão desempregadas, e para que elas possam trabalhar é preciso mais creches.

Em todo o País, há uma carência de 8,627 milhões de vagas em creches.

“Isso é um direito da criança e uma reivindicação das famílias. Quando a mãe trabalha os filhos ficam entregues a vizinhos, aos avós, que muitas vezes não têm condições de saúde para criá-los, ou ficam sós em casa. A creche tem que ter um caráter social”, ressaltou.

Ivânia falou ainda sobre a opressão feminina, característica de uma sociedade baseada no acúmulo de riqueza, na propriedade privada e no patriarcalismo e, ainda, sobre o impacto da terceirização na vida das mulheres. “Elas enfrentam a tripla jornada, e são apontadas pela propaganda disfarçada de ser a culpada quando os filhos ingressam na marginalidade. Essa mesma propaganda induz as mulheres a trabalharem em casa pela internet sem nenhum direito trabalhista”, salientou.

Escravo

Esse tipo de trabalho tem custo zero para o capital que não paga pela energia elétrica e os direitos trabalhistas e, ainda, mantém a tripla jornada. Se a terceirização ampla for aprovada da forma como está proposta no PL 30, em votação no Senado Federal, o trabalho escravo será estimulado.

Hoje, grandes redes de lojas já são denunciadas por contratarem empresas terceirizadas que escravizam mulheres e jovens, inclusive, estrangeiros ilegais no Brasil. A secretária da CTB falou ainda sobre a experiência positiva das mulheres no trabalho rural e o papel protagonista do MLT no fortalecimento da agricultura familiar e dos quintais produtivos.

Por Niúra Belfort - CTB-SE

Foto: MLT

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