João Batista Lemos: "Vice-presidência da FSM é grande conquista para a CTB"
O
final do 16º Congresso da Federação Sindical Mundial (FSM), realizado
no começo de abril, na Grécia, marcou a renovação de parte de sua
diretoria. O secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, João
Batista Lemos, é um dos novos vice-presidentes da entidade. Para ele,
sua escolha foi um reconhecimento dos trabalhos que os cetebistas vêm
realizando em nível nacional e internacional.
“A conquista é da
CTB, sem dúvida”, diz o dirigente, que acompanhou toda a recente
evolução da FSM, com destaque para o período de renovação vivido pela
entidade desde seu Congresso anterior, em 2005, realizado em Cuba.
Uma
mostra dessa evolução está no aumento de participantes dos dois
congressos. Em 2005, representantes de 64 países estiveram em Cuba;
neste ano, delegações de 108 países foram a Atenas para acompanhar os
trabalhar e trocar experiências sobre a atual conjuntura mundial e o
futuro do sindicalismo classista.
Leia abaixo a entrevista com Batista:
Portal
CTB: Depois de algumas semanas da realização do 16º Congresso, que
análise você faz dos avanços obtidos pela FSM e seus trabalhadores?
João
Batista Lemos: Considero que foi um Congresso histórico e vitorioso.
Ficou muito claro o revigoramento do sindicalismo de classe
internacional. O Congresso anterior foi realizado em Cuba, em 2005, com a
participação de organizações de 64 países. Em Cuba houve o início de um
processo de renovação da FSM, que teve a CTC de Cuba e os companheiros
da Grécia – além de outros setores do sindicalismo mundial – como
protagonistas desse processo de renovação. Nesse Congresso nós da CTB
ainda participamos como Corrente Sindical Classista.
Já no 16º
Congresso participaram delegações de108 países. Isso mostra então um
revigoramento muito grande do sindicalismo de classe, com entidades
importantes se filiando à FSM. O mesmo ocorre com a CGT francesa, que
foi uma das fundadoras da FSM e hoje é filiada à CSI, mas há um
movimento grande de algumas de sua entidade – a Federação Nacional de
Trabalhadores da Alimentação e Agricultura do país é filiada à FSM e à
CGT francesa.
Portal CTB: Por conta do Congresso, você
pôde ver de perto e sentir o clima de manifestações dos trabalhadores,
em contrariedade à crise financeira. Que impressões você trouxe desse
ambiente?
A realização do 16º Congresso na Grécia foi
simbólica. Lá, o movimento sindical – dirigido, sobretudo, pelo PAME –
tem adotado uma linha de resistência muito forte, anticapitalista e ao
mesmo tempo procurando bandeiras na defesa imediata do emprego dos
trabalhadores. O sindicalismo de classe vem retomando suas posições. Com
George Mavrikos na secretaria-geral, a FSM foi dinamizada e se colocou
em um novo patamar – que será renovado agora com sua reeleição por
unanimidade.
Esse ambiente vai mostrando a grande perspectiva
desse sindicalismo de classe, que aos poucos demonstra ter superado a
crise que o atingiu, que é também a crise do socialismo. O processo que
tivemos, cujo símbolo maior é a queda do Muro de Berlim, além do fim da
União Soviética, teve uma consequência muito grande no movimento
operário e sindical. Algumas entidades que definiam uma linha classista
acabaram sucumbindo e adotaram uma posição social-democrata, de buscar
uma reforma do capitalismo, sem ser mais anticapitalista. A CUT, aqui no
Brasil, é uma delas – e ainda acabou liderando várias centrais
progressistas do continente no sentido de entrar na antiga Ciols (atual
CSI) para tentar criar um bloco progressista lá dentro, mas o que
aconteceu foi o contrário, acabou sendo engolida. Prova disso é o
Congresso mais recente da CSI, em Vancouver, no qual foram convidados
para a abertura o FMI e o Banco Mundial. Ou seja: quiseram discutir a
crise financeira com aqueles que a criaram.
Isso mostra uma linha
de conciliação, de colaboração de classe por parte da CSI, enquanto a
crise sistêmica do capitalismo tem mostrado que não há saída dentro do
sistema capitalista. Essa crise mostra um desmonte do estado de
bem-estar social. Tudo que se conquistou no pós-guerra hoje a Europa
busca desmantelar.
Portal CTB: Que importância tem para a CTB sua eleição como um dos vice-presidentes da FSM?
Foi
uma grande conquista da CTB, uma entidade que em pouco tempo alcançou
todas as exigências do Ministério do Trabalho para se legalizar,
protagonizou a Conclat aqui no Brasil – algo que foi sua proposta – e
também protagonizou, ao lado de outras entidades da América Latina, os
Encontros Sindicais Nossa América, cuja quarta edição será realizada
este ano na Nicarágua. E agora a CTB chega à vice-presidência da FSM.
A
conquista é da CTB, sem dúvida. Temos agora um instrumento maior para
nossos objetivos. Já de início, recebemos uma tarefa importante da
direção da FSM: a honra de representá-la em Cuba nos festejos do 1º de
Maio.
Portal CTB: Ainda sobre o Congresso, como foi a
participação efetiva das delegações? O que se pode destacar nesse
processo de discussões?
O Congresso foi democrático. A
maioria das delegações falou – todas tiveram espaço para se manifestar. A
eleição para a secretaria-geral foi democrática, assim como a do
Conselho Presidencial. Foi algo novo, que fortalece em muito a FSM.
Outro
avanço diz respeito à questão organizativa. Aqui na América Latina, por
exemplo, só contávamos com um secretário para as Américas (Ramon
Cardona, reeleito). Agora, temos um prazo até julho para definir os
dirigentes sub-regionais, escolhidos pelas centrais aqui da região, a
fim de formar uma coordenação junto com Cardona e os vice-presidentes,
de modo a pôr em prática as resoluções do 16º Congresso.
Outra
questão é a plataforma de luta, um programa anticapitalista que enfrenta
os problemas reais dos trabalhadores, como a luta pela redução da
jornada de trabalho sem redução de salários, a luta contra as
terceirizações, contra a desregulamentação dos direitos trabalhistas, a
questão da saúde do trabalho, o fortalecimento da juventude
trabalhadores, das mulheres e dos imigrantes.
Também precisamos
avançar na questão da organização das UIS (União Internacional de
Sindicatos). A CTB tem contribuído com grande parte delas. Ocupamos, com
o companheiro Lopes, a presidência da UIS-Construção Civil, a
secretaria-geral da UIS-Transportes, com o companheiro Fajardo e outras
importantes posições. Nossa contribuição tem sido grande e por isso foi
natural ocuparmos uma das vice-presidências da FSM.
Fernando Damasceno – Portal CTB
