José Ortiz: "Unidade do sindicalismo brasileiro é exemplo para o mundo"
As
comemorações do Dia do Trabalhador no Brasil contaram neste ano com a
presença de um representante da Federação Sindical Mundial. Trata-se do
chileno José Ortiz, um dos vice-presidentes da entidade, designado para
trazer ao país o apoio da FSM. Para ele, o 1º de Maio Unificado,
organizado pela CTB e mais quatro centrais sindicais, é um exemplo a ser
seguido em todo o mundo.“Creio que esse entendimento entre os dirigentes das cinco centrais é um passo muito grande”, disse o dirigente, que assim como João Batista Lemos, secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, recentemente foi eleito para uma das vice-presidências da FSM.
Ortiz foi secretário-geral e vice-presidente da Central Unitária de Trabalhadores do Chile, e nos últimos dois anos tem exercido a função de coordenador da FSM em seu país. Diante do novo desafio, ele diz que o contexto internacional exige que o sindicalismo classista esteja mais presente em diversas partes do planeta, como a América Latina.
Confira abaixo a conversa realizada com Ortiz logo após sua participação no 1º de Maio Unificado:
Portal CTB: A presença de mais de 1,5 milhão de pessoas em um ato como este tem qual significado?
Como eu disse há pouco em minha intervenção, é um ato muito grandioso, uma imensa mostra de unidade sindical, já que as cinco centrais brasileiras alcançaram algo comum. Foi uma demonstração para todos da importância da unidade necessária para avançar o movimento sindical. Creio que esse entendimento entre os dirigentes das cinco centrais é um passo muito grande. Sabemos das dificuldades e interesses que envolvem uma aliança desse tipo, pois existem diferentes visões de como enfrentar a realidade.
Portal CTB: O ato, em algum nível, serve de inspiração para outras mobilizações, em outros países?
Trata-se de um grande avanço no sentido de mais conquistas para os trabalhadores. Como todos sabemos, nossa classe vem sendo atacada em todo o mundo. Assim, os brasileiros dão um grande exemplo para os latino-americanos e para o mundo. É uma grande notícia para todos os que estão nesta luta.
Portal CTB: Que análise você faz das bandeiras de luta levantadas pelos sindicalistas neste 1º de Maio? Quais dela são comuns aos trabalhadores do nosso continente?
Entendo que o chamado que as centrais brasileiras fizeram no sentido de reduzir a jornada de trabalho vai pelo caminho correto, para atacar o desemprego. A criação de mais emprego é um dos caminhos para fortalecer nossa classe Aqueles que trabalham mais de oito horas precisam ter uma jornada menor. Precisam trabalhar por sete horas ou menos, como vemos em outros países.
Portal CTB: Passado quase um mês da realização do 16º Congresso da FSM, que aspectos você destaca como conquistas dos debates realizados na Grécia?
Creio que minha presença neste ato é uma demonstração de avanço. Queremos estar mais presentes nos grandes acontecimentos, nas grandes mudanças, nas grandes lutas. A FSM deixou muito claro que somente através da luta de classe é que conquistaremos as mudanças.
Sem luta, o capitalismo será sempre mais do mesmo, tornando-se cada vez pior para a maioria. Esta crise profunda que ainda vivemos é um exemplo disso. Vamos passar por ela e depois, no futuro, certamente veremos uma outra, mais profunda. Para nós, o desenvolvimento da luta de classe é fundamental. Não há soluções para as demandas dos trabalhadores dentro do capitalismo.
Fernando Damasceno – Portal CTB
