Juros: movimentos responderão nas ruas aumentos do Copom
O ato da CMS acontecerá das 10 horas às 14 horas em frente ao Banco Central (Setor Bancário Sul, Quadra 3 - Brasília-DF). Após o ato político contra o aumento dos juros, os manifestantes se reunirão no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, às 15 horas, para o debate "Contra o imperialismo em solidariedade ao povo cubano".
"Estamos entrando numa fase de grande contradição, com o BC anunciando um longo ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, e o governo acelerando o PAC", diz João Batista Lemos, secretário da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).
Em nota divulgada nesta quarta (4), a Força Sindical classificou de "insanidade" o aumento da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Já a CUT considerou a medida "um ataque vil aos esforços por desenvolvimento sustentável com distribuição de renda e valorização dos trabalhadores".
Mas não foram apenas os trabalhadores que criticam a decisão do Copom e a política de juros do BC. Para a Fiesp e a Ciesp (Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), aumentar os juros para conter a demanda significa impedir o crescimento. "Reduzir despesas é mais adequado do que, simplesmente, penalizar a sociedade e segurar o crescimento do país. A despesa líquida total da União subiu 13,3% no ano passado e, para 2008, o governo já autorizou um aumento de 16,37%", afirmou, em nota oficial, o presidente das entidades, Paulo Skaf.
A alta dos juros também não agradou a CNI (Confederação Nacional da Indústria). "As pressões existentes sobre a inflação, que se originam dos preços internacionais dos alimentos e das commodities, estão obviamente a salvo do alcance da política monetária doméstica. É preciso que haja outros instrumentos para o controle da inflação", afirmou.
De acordo com a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), a elevação da Selic terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito. "O aumento não será suficiente para reduzir a intenção de compra dos consumidores; as elevações irão aumentar somente alguns reais nos financiamentos", acredita o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Pressão para mudar
Segundo Batista da CTB, será a força do povo que fará a política monetária mudar de rumo. "Os banqueiros estão muito sossegados, faturando altas somas às custas do sacrifício do povo, que não pode se calar diante desta verdadeira ameaça ao desenvolvimento nacional com distribuição de renda", enfatiza.
Ele também lembra que depois da jornada de lutas das centrais sindicais do dia 28 de maio, a prioridade é a mobilização do dia 19. "A CTB em todo o Brasil, principalmente nos estados e regiões mais próximas a Brasília, tem a grande responsabilidade de mobilizar os trabalhadores para a defesa do Brasil com desenvolvimento e valorização do trabalho", destaca.
"No próximo dia 19 de junho, protestaremos novamente através de mobilizações e atos públicos diante da sede do Banco Central, em Brasília, e de outros escritórios regionais da instituição. Vamos manifestar nas ruas nossa indignação contra esse entulho neoliberal mantido pelo Copom, que tanto agrada aos especuladores e que tanto prejudica o setor produtivo do Brasil", diz a nota da CUT.
Já a nota da Força Sindical afirma que "os trabalhadores condenam enfaticamente esta política restritiva do Banco Central que coloca uma trava no desenvolvimento, freia o consumo, a produção e a geração de novos postos de trabalho".
Clamor popular
Wander Gomes da Silva, diretor da Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), disse que os movimentos sociais precisam jogar pesado para que no dia 19 o BC sinta o clamor popular por menos juros e mais desenvolvimento. "A Conan acaba de sair de um grande congresso, no qual a luta pelo desenvolvimento teve grande ênfase", disse.
A entidade, segundo Wander, alcançou um estágio de organização muito bom, com capacidade para orientar e mobilizar o movimento comunitário em vários momentos importantes. Ele destaca que esta realidade faz da Conan um importante agente da mobilização social. "Queremos canalizar as forças do acumuladas no congresso para a mobilização do dia 19", afirma.
Movimentos sociais de todos os setores da sociedade estarão mobilizando para o protesto do dia 19. Além das centrais sindicais e a Conam, também a UNE e a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e o MST jogarão peso na mobilização.
Mobilização
O presidente da CTB, Wagner Gomes, diz que o Brasil precisa de uma rápida mudança de rumo em sua política macroeconômica. "Enquanto outros setores do governo puxam o país para o desenvolvimento, a política monetária do BC põe travas e segura o crescimento da economia", afirma.
Segundo Wagner Gomes, os movimentos sociais e mesmo setores empresariais, ligados à produção, têm protestado sistematicamente contra o conservadorismo do BC, mas, com o anúncio de um longo ciclo de elevação da Selic, o povo precisa ser mobilizado para reverter essa decisão.
"O dia 19 tem tanta importância para o país e para os trabalhadores quanto teve o dia 28 de maio", destaca. "Por isso, a CTB em todo o país, principalmente nas regiões próximas a Brasília, precisa concentrar esforços nesta atividade", finaliza.
Leia abaixo a nota da Força Sindical:
A direção da Força Sindical divulga a seguinte nota:
É uma insanidade dos tecnocratas do Copom aumentar a taxa Selic sob a justificativa da volta galopante da inflação. O Banco Central precisa entender que o remédio de juros em patamares proibitivos pode acabar asfixiando de forma traumática a economia.
Os trabalhadores condenam enfaticamente esta política restritiva do Banco Central que coloca uma trava no desenvolvimento, freia o consumo, a produção e a geração de novos postos de trabalho.
Estamos cansados desta disposição do Copom de punir freneticamente o setor produtivo e abençoar o especulativo. Este aumento é um claro boicote as conquistas dos trabalhadores que há tempos pedem uma redução das taxas de juros no País.
Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical
Leia abaixo a nota da CUT:
Menos juros, mais desenvolvimento
Por diversas vezes a CUT protestou contra a política de altíssimas taxas básicas de juros e elevado superávit primário, por considerá-la um ataque vil aos esforços por desenvolvimento sustentável com distribuição de renda e valorização dos trabalhadores e trabalhadoras.
No próximo dia 19 de junho, protestaremos novamente através de mobilizações e atos públicos diante da sede do Banco Central, em Brasília, e de outros escritórios regionais da instituição. Vamos manifestar nas ruas nossa indignação contra esse entulho neoliberal mantido pelo Copom, que tanto agrada aos especuladores e que tanto prejudica o setor produtivo do Brasil.
Artur Henrique
Presidente nacional da CUT
