Lideranças sindicais debatem mobilização em defesa da isonomia nas estatais
Dirigentes de entidades sindicais, representando uma base de mais de 200 mil
trabalhadores, incluindo os bancos públicos e órgãos do serviço público federal,
reuniram-se nesta quarta-feira, dia 5 de agosto, na sede da Fenae, em Brasília
(DF), com o objetivo de debater propostas de mobilização para combater um
problema comum a todos: a falta de isonomia entre trabalhadores antigos e novos.
Ao final do encontro, ficou definida a realização de uma reunião ampliada até o
dia 31 de agosto, em São Paulo (SP).
A iniciativa de convocar a reunião
partiu da Comissão Executiva de Empregados (CEE/Caixa). Isto porque,
durante o 26 º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal
(Conecef), ocorrido entre os dias 28 e 30 de maio deste ano, em São Paulo, a
categoria deliberou pela realização de um encontro nacional que envolvesse
trabalhadores de outras empresas.
Ao abrir o encontro, o coordenador da
CEE/Caixa e diretor de Administração e Finanças da Fenae, Jair Pedro Ferreira,
lembrou que as discriminações envolvem várias empresas estatais e as
representações dos bancários entendem que a reivindicação deve acontecer de
forma coletiva, a fim de eliminar os obstáculos que travam a conquista da
isonomia.
No final do ano passado, durante o encontro
nacional dos dirigentes sindicais da Caixa, realizado em São Paulo, foi definido
que 2010 é o Ano da Isonomia na Caixa. Com base nessa decisão, desde o início do
ano vêm sendo promovidas mobilizações no Brasil inteiro, como o Dia Nacional de
Luta que aconteceu em 27 de janeiro, com manifestações em agências e unidades.
A exemplo do que acontece na Caixa, os trabalhadores dos demais bancos
federais – Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB) e Banco do Amazônia (Basa)
–, além de outros órgãos federais, também sofrem discriminações provocadas pela
falta de isonomia, segundo um breve relato feito pelos dirigentes sindicais
presentes ao encontro.
Foram lembrados ainda os projetos de lei que
tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado Federal tratando da isonomia de
direitos e benefícios entre os trabalhadores novos e antigos dos bancos públicos
federais e das empresas estatais. Há o consenso de que a pressão do movimento
sindical para apressar a aprovação desses projetos no Congresso Nacional é
apenas um dos focos dessa luta. Na ocasião, Plínio Pavão afirmou que a aprovação
desses projetos e a sua transformação em lei não que quer dizer que os problemas
estejam resolvidos, pois os técnicos do Departamento de Coordenação e Controle
das Empresas Estatais (Dest), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, estão convictos de que as resoluções relativas ao assunto
são benéficas à administração federal.
O presidente do Sindicato
Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
(Sinpaf),Valter Endres, ressaltou que a conquista da isonomia entre funcionários
antigos e novos é “assunto de máxima importância” para a entidade. O Sinpaf
representa os empregados da Embrapa e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do
São Francisco (Codevasf). Ele também defendeu a unificação da luta dos
servidores públicos federais e o engajamento da CUT nesse processo.
O
presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Eduardo Guterra, informou
que até 1990 os trabalhadores dos portos tiveram algumas conquistas relativas à
isonomia. Depois disso, o setor passou por um processo de reestruturação que
dificultou avançar na questão. A entidade congrega em torno de quatro mil
trabalhadores.
Outro ponto definido na reunião foi de que cada entidade
fará um levantamento sobre o que avançou e o que ainda falta conquistar nas
empresas que representa, para apresentar na reunião ampliada que deverá ocorrer
em São Paulo até o fim deste mês.
Participaram do encontro as seguintes
entidades: Contraf/CUT e CEE/Caixa, Comissão Executiva dos Empregados do Banco
do Brasil, Comissão Nacional dos Funcionários do BNB, Comissão Nacional dos
Funcionários do Basa, Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de
Processamento de Dados (Fenadados), Federação Nacional dos Trabalhadores em
Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Federação Nacional dos
Portuários e Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento
Agropecuário (Sinpaf). A reunião contou ainda com a presença do assessor
parlamentar da CUT, Humberto Borges, e de um representante do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
