Lucro do Citi aumenta 30% no 1º tri, a US$ 3,8 bi
O Citigroup registrou no primeiro trimestre lucro líquido de US$ 3,8 bilhões, ou US$ 1,23 por ação, o que representa um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado e três vezes o resultado do trimestre anterior. O destaque foi a melhora da receita na unidade de mercado de capitais.
Ao se excluir um encargo de US$ 198 milhões por ajustes no valor da dívida do próprio Citi, o resultado de US$ 1,29 por ação ficou acima do consenso de Wall Street, que era US$ 1,17 por ação.
A receita do primeiro trimestre aumentou 3% na comparação anual e 12% ante o quarto trimestre, em parte porque o Citi reverteu US$ 652 milhões em provisões para perdas com crédito, o que ajudou o resultado.
As receitas líquidas de juros permaneceram estáveis em relação ao ano anterior. A medida, considerada estratégica para bancos, tem sido pressionada em todo o setor devido às baixas taxas de juros e à lenta recuperação econômica.
As despesas operacionais do Citi aumentaram 1% em relação a um ano antes, mas caíram 3% ante o quarto trimestre, para US$ 12,4 bilhões.
"Itens estratégicos para se olhar no trimestre serão os gastos, provisões para devedores duvidosos e a receita de mercado de capitais", escreveu John McDonald, analista da Sanford Bernstein & Co, em um relatório enviado a clientes antes de o Citi publicar o resultado.
O presidente-executivo do Citigroup, Michael Corbat, espera que o banco atinja índice de capital de nível 1 de 10% sob as novas regras de Basileia 3 até o fim do ano. "A força de nosso capital melhorou novamente durante o [primeiro] trimestre", afirmou Corbat, em teleconferência com investidores.
No primeiro trimestre, o índice de capital de nível 1 (Tier 1) aumentou para um patamar estimado de 9,3% sob as regras previstas em Basileia 3.
A opção do Morgan Stanley de comprar fatias adicionais na corretora Morgan Stanley Wealth Management, "joint venture" com o Citi, também deve reforçar o capital do banco se for exercida. O Morgan Stanley detém 65% da joint venture e tem a opção de comprar outros 15% neste ano, mas também tem aprovação do Federal Reserve para adquirir toda a fatia de 35% do Citi.
O Morgan Stanley afirmou que quer comprar a participação integral do Citi, mas ainda precisa de mais algumas aprovações regulatórias. "Deixe-me ser muito claro: nós esperamos que o Morgan Stanley compre pelo menos os 15%, o que deve ocorrer neste ano", afirmou o vice-presidente financeiro, John Gerspach, durante a mesma teleconferência. "Não estamos contando com a compra dos 20% adicionais."
O Citi reportou custos legais de US$ 710 milhões no trimestre, boa parte ligada a negócios na área de hipotecas. Gerspach afirmou que essas despesas devem continuar elevadas
Na sexta-feira, o J.P. Morgan Chase também tinha reportado que seu lucro aumentou no primeiro trimestre, depois que uma redução nas provisões para perdas com empréstimos ajudou o banco a contrabalançar a queda de receitas e a fraqueza nas operações com hipotecas. Um salto no resultado de banco de investimento também contribuiu para o lucro.
O banco registrou aumento de 33% no lucro, que alcançou o recorde de US$ 6,53 bilhões (US$ 1,59 por ação), ante US$ 4,92 bilhões (US$ 1,19 por ação) um ano antes. O Wells Fargo também divulgou resultados no mesmo dia, desapontando investidores com desempenho mais modesto nas operações com hipotecas e uma queda sensível de margens.
O J.P. Morgan "fez um bom trabalho de controle de despesas", avaliou Frederick Cannon, analista da KBW. Ele disse que o crédito parece sólido, embora a área de hipotecas tenha sido um pouco mais fraca que o esperado.
