Lula assinará decretos de regularização de terras quilombolas em Salvador
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar no Dia da Consciência
Negra (20 de novembro), em Salvador, 30 decretos regularizando 342 mil
hectares de terras que passarão a pertencer a 3,818 mil famílias
quilombolas.
A partir dessa decisão, o presidente do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackart, adotará as medidas
legais para os processos de avaliação dos imóveis e de indenização dos
proprietários.
Com isso, as famílias de quilombolas passam a ter acesso a todo
território e, posteriormente, ao título de domínio definitivo das
terras, que é coletivo e inalienável (não pode ser vendido nem cedido).
Dentre os 30 territórios que serão reconhecidos, sete - Castainho e
Conceição das Crioulas, em Pernambuco; Mocambo, em Sergipe; Mata
Cavalo, em Mato Grosso; Furnas da Boa Sorte e Furnas do Dionísio, em
Mato Grosso do Sul; e Kalunga, em Goiás,- já têm os títulos emitidos
pela Fundação Cultural Palmares, mas as posses não foram efetivadas.
É que a fundação não tinha os instrumentos
jurídicos e constitucionais para garantir esse direito. Todo o
arcabouço legal e constitucional de regularização fundiária e
demarcação das áreas quilombolas passou a ser, a partir de 2003, do
Incra. Com a
demarcação sob a responsabilidade do instituto, o governo federal terá como consolidar esse território étnico brasileiro.
Por se tratar de uma política estruturante de relevância para as comunidades quilombolas, elas também devem ter atenção redobrada de programas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o de Cozinhas Comunitárias e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Serão beneficiadas ainda as seguintes comunidades: Mata de São Benedito, Santa Joana, Piqui e Santa Maria dos Pretos, no Maranhão; Engenho do Bonfim, na Paraíba; Tabacaria, em Alagoas; Lagoa dos Campinhos, em Sergipe; Nova Batalhinha, Jatobá e Lagoa do Peixe, na Bahia; Jatobá, no Rio Grande do Norte; Cafundó e Brotas, em São Paulo; Casca, Rincão dos Martinianos e São Miguel, no Rio Grande do Sul; Lagoinha de Baixo, em Mato Grosso; Colônia de São Miguel e Chácara Buriti, em Mato Grosso do Sul; Retiro, no Espírito Santo; e Preto Fôrro e São José da Serra, no Rio de Janeiro. As informações são da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate.
