Maioria dos bancários tem curso superior, MBA ou pós-graduação
No setor bancário, 48,4% dos funcionários são mulheres e 51,6% são
homens, porcentuais próximos aos da População Economicamente Ativa
(PEA), na qual as proporções são de 50,8% e 49,2%, respectivamente. No
estoque de empregos formais (RAIS 2007) essa proporção é de 40,8% e
59,2% respectivamente.
Dentre os funcionários, 65,5% dividem-se em duas faixas etárias: de 25
a 34 anos (34,8%) e de 35 a 44 anos (30,7%), sendo que até 34 anos a
predominância é de mulheres, atestando o forte ingresso delas nos
bancos; 19% dos funcionários são negros, enquanto na PEA somam 35,7% e
no mercado formal (RAIS), 31,9%.
Esses dados constam da Pesquisa em Recursos Humanos Melhores Práticas e
Censo da Diversidade, desenvolvida pela Federação Brasileira de Bancos
(Febraban), com o objetivo de fazer um mapeamento da diversidade no
setor. E apontou também um alto nível de escolaridade, com 66,5% dos
bancários com superior completo, pós-graduação ou MBA. No mercado
formal, esse percentual é de apenas 15,5%.
Há uma notável mobilidade educacional dos bancários. Daqueles que
tinham apenas o ensino fundamental quando foram admitidos, 51,94%
atingiram o ensino superior e 8,46% fizeram alguma pós-graduação.
Daqueles que tinham até o ensino médio, 64% chegaram ao ensino superior
e 9% à pós-graduação.
Políticas da diversidade
Nos últimos anos, aumentou o porcentual de funcionários negros com até
3 anos de trabalho no setor, atingindo 66,5%. Isso reflete as políticas
de diversidade já em curso nos bancos.
O crescimento da presença de negros nos bancos é relevante ao se
constatar a baixa rotatividade dos empregados do setor: 9,1% têm até um
ano de emprego. No mercado de trabalho formal esse percentual de
rotatividade é de 33%, o que demonstra o elevado tempo de permanência
da maioria dos bancários no setor; 38,2% dos funcionários brancos
tiveram três ou mais promoções.
Entre os pardos, o percentual é de 35,8% e entre os negros, de 28,8%.
“O objetivo é utilizar os dados para sabermos qual o cenário real do
setor e, a partir daí, implantar políticas que promovam a igualdade de
oportunidades e a diversidade nas instituições financeiras”, afirma
Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da
Febraban.
408 mil bancários
Os bancos envolvidos no projeto empregam 408,9 mil dos 435 mil
bancários no país. Desses, 204,1 mil (49,9%) responderam às perguntas
do censo, que foram elaboradas pela Febraban com a cooperação de
representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), do Instituto
de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), do Ministério Público do
Trabalho e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro (Contraf/CUT).
A iniciativa contou com a assessoria do Centro de Estudos das Relações
de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e foi tema de várias Audiências
Públicas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
O censo permitirá aprimorar e acelerar um trabalho que já está em curso
no setor, uma vez que a maioria dos bancos inclui critérios de
diversidade no recrutamento e já registra impactos positivos no
rendimento dos funcionários e na percepção dos clientes, relata
Vasconcelos. Alguns bancos também começam a incluir cláusulas de
valorização da diversidade em contratos com seus fornecedores e
parceiros.
*Cruzeiro do Sul
