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Mais da metade dos trabalhadores mundiais está na informalidade, diz OCDE

Até 2020 esse número deve crescer em um terço, mantidas as atuais projeções de crescimento populacional e das economias dos países

O número de pessoas trabalhando na informalidade --sem contrato nem seguridade social-- no mundo todo atingiu 1,8 bilhão, o que representa mais da metade da força de trabalho mundial, o que pode agravar a situação dos países mais pobres, segundo estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta quarta-feira.

Segundo o estudo "Is Informal Normal?" ("A Informalidade é Normal?", em tradução livre), a crise financeira "está jogando muitas pessoas para fora do mercado de trabalho e, nos países em desenvolvimento sem seguro-desemprego, elas são forçadas a ficar em empregos informais com baixos salários, sem proteção e expostas a riscos".

Até 2020, segundo a OCDE, esse número deve crescer em um terço, mantidas as atuais projeções de crescimento populacional e das economias dos países, segundo o estudo. O avanço na informalidade pode ser maior, no entanto, "se mais empregos forem perdidos em meio à crise econômica e mais migrantes voltarem a seus países de origem para empregos informais".

"Mesmo durante os bons tempos, com taxas sólidas de crescimento, em muitos países em desenvolvimento o emprego informal cresceu", disse Johannes Jutting, um dos autores do estudo. "Embora a Índia tenha crescido ao longo da última década acima de 5 pontos percentuais ao ano, as pessoas lá sentem que não estão sendo criados melhores empregos."

Segundo ele, nove em cada dez trabalhadores na Índia --cerca de 370 milhões de pessoas-- não têm seguridade social.

O avanço do emprego informal no mundo pode acarretar menores salários nos países mais pobres, justamente os que dispõem de redes de proteção social mais precárias, diz o estudo --que destaca que as mulheres, que constituem a maioria dos trabalhadores na informalidade, sofrerão um forte impacto.

"Baixos salários e ausência de benefícios aumentam as chances de que as Metas do Milênio, de reduzir a pobreza mundial até 2015 não sejam atingidas", diz o estudo.

"Ações imediatas e não convencionais são urgentemente necessárias. O estudo pede um pacote abrangente de medidas que promovam a criação de empregos de boa qualidade não apenas no setor formal, mas também no informal. Melhorar a infraestrutura, desenvolver habilidades, promover reformas institucionais e o acesso dos negócios informais a mais recursos são elementos-chave nessa estratégia.

Folha Online

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