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Manifestação contra leilões de petróleo é duramente reprimida

Petroleiros e integrantes de movimentos sociais que participavam de ato em frente a sede da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Rio de Janeiro, como parte da Jornada de Lutas contra a 10ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, sofreram repressão por parte da Polícia Militar do Estado, nesta quinta-feira(18).

De acordo com a Agência Petroleira de Notícias (APN), cerca de 50 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave, e outras três foram detidas, entre elas um dos coordenadores do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindpetro-RJ), Emanuel Cancella.

Vinicius Almeida, diretor da União Nacional de Estudantes (UNE), que estava na manifestação reprimida pela Polícia Militar, conta que não houve motivos para tal postura policial já que a manifestação seguia pacífica. "Existia uma certa liberdade do comando para reprimir. Uma ordem da polícia para reprimir uma manifestação política. [A repressão] se deu porque foi uma manifestação política e não porque existia um crime em que [os manifestantes] pudessem ser enquadrados", relata.

A APN divulgou que dentre os detidos, além do diretor do Sindpetro-RJ, estão Gualberto Tinoco (Piteu), da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e Thaigo Lúcio Costa, estudante de jornalismo da Universidade de Santa Cecília, de Santos. Já na relação de feridos encontram-se o diretor do Sindipetro-RJ Eduardo Henrique Soares da Costa, que está hospitalizado com um corte na cabeça, e um militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que quebrou o braço ao ser espancado. Os demais feridos estão sendo levantados pelas entidades que compõem o Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás.

O diretor da UNE avalia que a maneira como a Jornada tem sido conduzida está conseguindo dar visibilidade na sociedade ao movimento contrário às licitações do petróleo. Ele explica que os movimentos sociais, juntamente com os petroleiros, lutam para que haja a conscientização da população para o "absurdo" que é o leilão, que se configura, segundo ele, "uma privatização, que é feita de maneira diferente, porque aos poucos tira o controle nacional sobre o petróleo".

De acordo com Vinicius, ainda não é possível saber quais os avanços que serão obtidos até a finalização da Jornada e se, realmente, os leilões serão cancelados. No entanto, ele reafirma que a reivindicação e luta do movimentos que integram a Jornada é para a retomada do "monopólio da exploração do petróleo no país, permitindo que esta exploração e os benefícios angariados para o Estado, nós consigamos reverter para gastos sociais, como educação e saúde".

Vinicius Almeida lamenta a posição do governo federal em levar adiante as licitações de petróleo e gás. "Achamos lamentável um governo, que foi eleito e reeleito com um discurso contra as privatizações, apoiar desta forma as licitações", afirma. Para o diretor da Une, trata-se de "uma grande derrota ao povo brasileiro".

Fonte: Michele Amaral / Brasil de Fato
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