Massa salarial ainda cresce 8% ao ano
O resultado é bastante influenciado por setores que pressionam a inflação, ajudando a explicar as preocupações do Banco Central com o mercado de trabalho.
Nos últimos 12 meses, a massa real de rendimentos subiu 11,9% na rubrica "outros serviços", que engloba atividades como alojamento e alimentação (hotéis e restaurantes) e serviços pessoais, 10% na construção civil e 8,5% no setor que inclui administração pública, educação, saúde e serviços sociais.
O levantamento foi feito pela Tendências Consultoria, a pedido do Valor, com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.
O próprio aquecimento do mercado de trabalho explica o que se passa com os serviços. Com emprego e renda em alta, a demanda por essas atividades se mantém firme, diz o economista Sérgio Mendonça, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Na construção, o momento favorável do mercado imobiliário e, em menor medida, da infraestrutura determina o resultado, embora haja uma desaceleração em curso. A massa salarial no segmento cresceu 17,1% em 2010, e agora avança a um ritmo de 10% em 12 meses.
O menor dinamismo é mais evidente no emprego, que viu sua taxa de expansão cair de 5,8% em 2010 para 1,8% em 12 meses até maio. Segundo Mendonça, é natural uma acomodação do emprego na construção, depois da forte expansão dos últimos anos. O rendimento real no setor ainda cresce 8,1% em 12 meses.
Outro sinal de menor fôlego da massa salarial fica visível quando se compara o valor atual com o pico de 2010. Em maio, a quantia que chegou aos trabalhadores foi de R$ 35,1 bilhões, R$ 500 milhões abaixo do nível de outubro de 2010, descontada a inflação.
Valor Econômico
