Movimento contra a corrupção quer impeachment de Arruda
Cerca de 200 lideranças sindicais, parlamentares e representantes da
sociedade civil reunidos na sede da CUT-DF na tarde desta segunda-feira
(30) deliberaram pela unificação e mobilização geral da sociedade para
pressionar a saída do governador do DF, José Roberto Arruda, e seu
vice, Paulo Octávio, do GDF.
O grupo recebeu o nome de “Movimento contra a corrupção” e afirmou que
ainda pedirá a punição de todos os envolvidos no escândalo de
arrecadação e pagamento de propina no governo local.
Para o presidente do PT-DF, Chico Vigilante, a movimentação ilegal de
dinheiro no governo do DEM do DF “não é novidade”. Chico Vigilante
ainda informou que o “Movimento contra a corrupção” não aceitará
qualquer tipo de arranjo para ocupar o governo do DF. “Quem estava se
lambuzando não pode bancar de moralista”, discursou.
“Este governo não tem diferença do governo Roriz. Esta é uma
organização criminosa”, avaliou o deputado distrital, Paulo Tadeu (PT).
Para o senador Cristovam Buarque (PDT) “a autonomia do DF está
ameaçada”. O senador ainda informou que convocará uma CPI (Comissão de
Inquérito Parlamentar) na Casa para apurar o escândalo.
As denúncias do esquema de propina fizeram com que o PPS, PDT e PSB,
partidos da base aliada do governo Arruda, anunciassem a entrega dos
cargos que ocupam na administração.
Ações
Durante a reunião desta segunda, foi definida a realização de um ato
nesta quarta-feira (2/12), em frente a Câmara Legislativa do DF, às
14h, quando será protocolado o pedido de impeachment contra Arruda e
Paulo Octávio. Já no dia 9 de dezembro, às 10h, os manifestantes se
reunirão na Praça do Buriti para realizar ato unificado contra a
corrupção. “Nós construiremos o maior movimento de rua do DF e não
pararemos até dissolvermos esta quadrilha”, afirmou a presidente da
CUT-DF, Rejane Pitanga.
Entenda o caso
Na última sexta-feira (27), a Polícia Federal deu início à
operação “Caixa de Pandora”, organizada para apurar denúncias de
arrecadação e recebimento de propina no governo do Distrito Federal. A
denuncia foi feita pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF,
Durval Barbosa, que, além de ceder filmagens que comprovam o esquema,
afirmou que o governador local, José Roberto Arruda, coordenava o
destino do dinheiro obtido através de contratos superfaturados firmados
com empresas específicas.
De acordo com Durval, o esquema começou ainda no governo passado, de
Joaquim Roriz. O caso, que envolve ainda o vice-governador, Paulo
Octávio, secretários de governo, assessores e deputados da base aliada,
consistia em distribuir uma mesada para deputados distritais e recursos
para empresários, secretários do governo e dívidas pessoais do
governador do DF.
Até agora, a PF apreendeu mais de R$ 760 mil em buscas realizadas em Brasília, Goiânia e Minas Gerais.
Passado e presente comprometido
Em 2001, o então senador José Roberto Arruda renunciou ao cargo depois
de assumir o envolvimento na violação do painel do Senado após a
votação da cassação do ex-senador Luiz Estevão.
O primeiro discurso de Arruda foi em sua defesa, quando o então Senador
chegou a chorar em plenário. Com as evidências do caso, Arruda voltou
atrás e resolveu assumir o envolvimento no caso para não correr o risco
de ser cassado.
Rabo preso
Durval Barbosa era secretário de Relações Institucionais do DF no
governo Arruda e também foi presidente da Codeplan durante o governo
Roriz. A denúncia foi feita em contrapartida da redução de pena em caso
de condenação do ex-secretário, que tem mais de 30 processos na Justiça.
