Mulheres lutam por Deams funcionando 24h
A Lei Maria da Penha completou uma década no dia 7 de agosto deste ano, mas uma de suas principais metas não foi cumprida: a instalação de delegacias 24 horas para atendimento especializado e multidisciplinar às mulheres vítimas de violência.
De acordo com as participantes da 10ª Jornada Maria da Penha, painel realizado na última quinta-feira (11/8) em Brasília pelo Conselho Nacional de Justiça, diante do preconceito e da dificuldade que o público feminino sofre ao entrar em uma delegacia convencional para dar queixa de uma agressão, seria fundamental a existência de um espaço voltado para a mulher em tempo integral, já que um ambiente composto apenas por homens, muitas vezes intimida a vítima de dar detalhes do ocorrido.
As poucas delegacias que existem funcionam somente em horário comercial, de segunda a sexta-feira. A primeira com atendimento 24h passará a funcionar em São Paulo, mas só no final do mês de agosto.
A delegada e deputada estadual do Rio de Janeiro, Martha Rocha, ironizou o déficit no horário de funcionamento das delegacias e indagou: "Será que os homens combinaram com as autoridades que vão parar de agredir suas mulheres após as 18h e nos fins de semana?”. Para ela, essa deficiência de infraestrutura prejudica a aplicação da lei.
Como a instalação de delegacias 24 horas para atendimento às mulheres é uma atribuição dos governos estaduais, é preciso marcação acirrada em cima de representantes que podem ajudar a regularizar essa situação.
