Nas ruas, metalúrgicos iniciam campanha nacional unificada
Hoje (10), metalúrgicos de todo o País realizam ato com passeata para a entrega das pautas de reivindicação aos sindicatos patronais na capital paulista. A Campanha Nacional Unificada dos metalúrgicos da CUT, em parceria com a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT) e as federações estaduais, capitaneadas pela FEM/CUT-SP, envolve mais de 1 milhão de metalúrgicos, filiados aos 80 sindicatos de base da CNM/CUT.
Neste ano, a categoria já realizou uma grande manifestação pública pela redução da jornada de trabalho no dia 25 de abril na Praça da Sé e o Dia Nacional de Mobilização e Luta, que teve a participação de trabalhadores em diversas regiões do país em 28 de maio.
A manifestação que marca o lançamento da Campanha Nacional acontece às 10h na sede da Fiesp (Federação das Indústrias no Estado de São Paulo) na Avenida Paulista. Na seqüência haverá a entrega das pautas do Grupo 10 (serralheria, lâmpadas e prensas) e dos trabalhadores no setor Aeroespacial no mesmo local. Às 10h30 é a vez da Abifa (Associação Brasileira de Fundição) receber os dirigentes sindicais. Ainda na parte da manhã, representantes dos trabalhadores no setor siderúrgico também entregam a pauta na Gerdau.
Os presidentes da FEM, Valmir Marques (Biro Biro), da CNM, Carlos Alberto Grana e dirigentes dos sindicatos filiados à Federação representarão a categoria junto aos grupos patronais. A partir da 12 horas, os metalúrgicos partem em caminhada da sede da CNM em direção ao Sindipeças e à Anfavea/Sinfavea (montadoras) que também recebem as pautas de reivindicação às 14h e 15h respectivamente.
Para o presidente da CNM, Carlos Alberto Grana, os recordes atingidos pela indústria em 2008 mostram que não há crise no setor metalúrgico. ''A economia está aquecida, as empresas estão contratando e vendendo como nunca. É hora de dividir a fatia deste bolo com os trabalhadores'', diz.
Grana reivindica não só a redução da jornada para 40 horas semanais e o aumento acima da inflação nos reajustes salarias, mas também o fim da demissão sem justa causa para os metalúrgicos. ''O saldo de contratações é extremamente positivo. Não há dúvidas. Mas não é possível que as empresas ainda pratiquem a rotatividade, que atinge 30% dos trabalhadores no nosso setor apenas para a redução salarial, demitindo sem motivo aparente e gerando um rombo nos cofres públicos que deve ser de R$ 13 bilhões em 2008, só com o pagamento de seguro-desemprego'', diz, defendendo a ratificação da Convenção 158 da OIT, que inibe a demissão imotivada.
Contrato coletivo nacional
A conquista do Contrato Coletivo Nacional de Trabalho ajudará a corrigir as diferenças salariais que existem em vários estados no ramo metalúrgico. ''A unificação da data-base dos metalúrgicos e a criação de um piso nacional de salário para a categoria são algumas das nossas principais reivindicações junto aos grupos patronais. Vamos intensificar a nossa luta e não descartaremos a realização de greves e paralisações em todos os setores para fazer valer o nosso direito'', concluiu Valter Sanches, secretário-geral da CNM.
Com exceção das bancadas do Grupo 10 e Aeroespacial - nas quais serão renovadas toda a Convenção Coletiva de Trabalho neste ano - nos demais setores serão negociadas apenas as cláusulas econômicas, porque as sociais têm vigência até 2009, conforme Convenção Coletiva de Trabalho firmada em 2007 entre a Federação e as bancadas patronais.
A renovação nas Convenções pelo período de dois anos (2008/2009) nas cláusulas econômicas e a criação de um fundo de qualificação profissional são reivindicações prioritárias. ''Lutaremos para firmar Convenções Coletivas de Trabalho que garantam melhorias tanto nas cláusulas econômicas como sociais para toda a categoria. Também reivindicaremos que estas Convenções tenham uma duração maior tendo em vista a fase sólida da nossa economia, que tem refletido no aumento da produção e faturamento destes segmentos'', diz o presidente da FEM/CUT-SP, Valmir Marques (Biro Biro). (Fonte: CUT)
Principais reivindicações da Campanha Nacional dos Metalúrgicos da CUT - 2008:
- Redução da Jornada de Trabalho para 40h semanais, sem Redução dos Salários e limitação de horas-extras;
- Piso Nacional de Salários;
- Unificação das datas-base da categoria;
- Combate à precarização no local de trabalho (informalidade, terceirização);
- Melhoria nas políticas de Saúde, Segurança e Previdência.
Cronograma de entrega das pautas em 10 de julho de 2008:
10h - Fiesp
Av. Paulista, 1313 - 7º andar
10h30 - Associação Brasileira de Fundição (ABIFA)
Av. Paulista, 1274 - 20º andar
14h - Sindipeças
Av. Indianópolis, 1675
15h - Anafavea/Sinfavea
Av. Indianópolis, 496
Convenção Coletiva de Trabalho FEM-CUT/SP 2007
Grupo 9 (máquinas e eletrônicos)
Base: 65 mil
Data-base: agosto
Convenção (2007): 6,8%
Período: 2007/2009
Obs.: 2008 cláusulas econômicas
Fundição
Base: 15 mil
Data-base: setembro
Convenção (2007): 7,44%
Período: 2007/2009
Obs.: 2008 cláusulas econômicas
Montadoras
Base: 50 mil
Data-base: setembro
Convenção (2007): 7,44%
Período: 2007/2009
Obs.: 2008 cláusulas econômicas
Grupo 3 (Autopeças)
Base: 115 mil
Data-base: setembro
Convenção (2007): 7,44%
Período: 2007/2009
Obs.: 2008 cláusulas econômicas
Aeroespacial
Base: 20 mil
Data-base: setembro
Convenção (2007): 7,44%
Período: 2007/2008 - cláusulas econômicas e sociais
(renovação de toda a convenção neste ano)
Grupo 10 (serralheria, lâmpadas e prensas)
Base: 15 mil
Data-base: Novembro
Convenção (2007): 7,45%
Período: 2007/2008 cláusulas econômicas e sociais
(renovação de toda a convenção neste ano)
Total base FEM: 280 mil trabalhadores em todo o estado.
