Negociação sobre saúde e segurança não avança. Comando marca Dia Nacional de Luta para dia 8
Assédio moral - As negociações sobre assédio moral e metas abusivas, nessas primeiras rodadas, partiram dos resultados das discussões na Mesa Temática de Saúde do Trabalhador. Conquistada na campanha nacional do ano passado, esse fórum bipartite já realizou três reuniões este ano. A discussão gira em torno da implantação de um programa de prevenção de conflitos no ambiente de trabalho, o que inclui a possibilidade de apuração de denúncias de assédio moral encaminhadas pelos sindicatos. O programa vem sendo debatido desde 2006, mas permanece com uma série de pendências em razão da intransigência dos bancos.
Metas abusivas - Os negociadores da Fenaban também rejeitaram as propostas dos bancários para acabar com as metas abusivas, entre elas o fim do ranking individual de vendas de produtos e o fim das metas para os caixas. O Comando Nacional reafirmou aos representantes dos bancos que o problema a ser solucionado não é a existência de metas, mas a forma como essas metas são instituídas e cobradas dos trabalhadores, o que tem sido o principal fator gerador do assédio moral e de adoecimento dos bancários.
Outras reivindicações de saúde - Os representantes dos banqueiros recusaram ainda uma série de outras reivindicações, como por exemplo a manutenção de salários e a isonomia de direitos para quem está afastado por licença-saúde (cesta-alimentação, tíquete-refeição e PLR). Além de negarem também a concessão de abono de falta aos bancários com deficiência para o reparo de aparelhos que precisam usar.
Segurança bancária - A Fenaban negou o atendimento das principais reivindicações que tratam de segurança, como a proibição ao transporte de numerário e à guardas das chaves pelos bancários. Também negaram o adicional de risco de vida de 30% para quem trabalha em agências, postos e tesouraria e que está sendo conquistado pelos vigilantes em acordos coletivos e em votações de projetos de lei no Congresso Nacional. Os bancos se recusaram ainda a garantir medidas preventivas contra assaltos, como a colocação de portas giratórias em todas as agências e postos, câmeras de filmagem com monitoramento em tempo real e outros equipamentos.
Em relação à assistência às vítimas de assaltos, seqüestros e extorsões, os bancos se limitaram a garantir atendimento médico ou psicológico no local da ocorrência. Não asseguraram tratamento psicológico, nem aceitaram o fechamento da agência ou posto no dia do assalto, muito menos o acompanhamento de um advogado do banco na identificação de suspeitos na polícia. Além disso, os banqueiros foram contrários à estabilidade provisória de 36 meses para as vítimas de assaltos e sequestros.
Os negociadores dos banqueiros aceitaram a emissão obrigatória do Boletim de Ocorrência (BO) na polícia para os casos de assaltos, consumados ou não, e sequestros. Também concordaram em fornecer estatísticas semestrais de assaltos a bancos em âmbito nacional. Essas medidas haviam sido discutidas na Mesa Temática de Segurança Bancária.
Dia Nacional de Luta em defesa do emprego - Para avançar nas negociações, o Comando Nacional avalia a necessidade de aumentar a mobilização e a pressão da categoria sobre os bancos. Por isso convocou Dia Nacional de Luta em defesa do emprego para a próxima quarta-feira, dia 8. No mesmo dia, às 15h, começa a terceira rodada de negociação entre o Comando Nacional e Fenaban, agora sobre emprego e condições de trabalho. A rodada continuará na quinta-feira, dia 9. Entre outras coisas, os bancários reivindicam mais contratações, proibição às demissões imotivadas e reversão das terceirizações.
