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Objetivo do 2º Encontro Sindical Nossa América é a unidade

Juan Castillo, secretário de relações internacionais PIT-CNT (central sindical única do Uruguai), é uma das principais lideranças envolvidas na organização do 2º Encontro Sindical Nossa América, que vai reunir sindicalistas de todos os países americanos em São Paulo, dias 22 e 23 de setembro. Em entrevista ao jornalista Umberto Martins, do Portal CTB, ele se revelou entusiasmado com a resposta à convocação do encontro, cujo principal propósito é promover a unidade do sindicalismo no continente americano.  Abordou também a conjuntura política e econômica do seu país, o Uruguai.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Nivaldo Santana (E), Juan Castillo (C) e João Batista Lemos (D) na sede da CTB - Foto: Láldert Castello Branco
Nivaldo Santana (E), Juan Castillo (C) e João Batista Lemos (D) na sede da CTB


Portal CTB - Qual a perspectiva do 2º Encontro Sindical Nossa América?

Juan Castillo- Nós estamos muito entusiasmados com o 2º Encontro Nossa América que será realizado em São Paulo no próximo mês de setembro. Em primeiro lugar, pela resposta das centrais e outras entidades do movimento sindical americano à convocação. Até o momento somam mais de 130 organizações inscritas e, o que é muito significativo, cobrindo todos os 35 países do continente. É uma resposta muito positiva. No 1º Encontro, realizado na capital do Equador (Quito) em maio do ano passado, reunimos representantes de 20 países.

Em segundo lugar, cabe destacar as mobilizações concretas associadas ao Encontro, realizadas no âmbito do Fórum Social Mundial, em Belém, as manifestações de 1º de Abril em defesa dos trabalhadores e contra a exploração capitalista, o 1º de Maio em Cuba, que reuniu lideranças de diferentes países do continente. Essas atividades conferem ao nosso movimento maior visibilidade e respeito.

É importante salientar também a formalização de convites a entidades ligadas a diferentes concepções e organizações visando a ampliação, notadamente à CSA (Confederação Sindical das Américas), filiada à CIS (Confederação Internacional Sindical), com quem iniciamos um intercâmbio muito promissor, que pode viabilizar um trabalho conjunto e jornadas de mobilizações unitárias para o segundo semestre deste ano contra a crise do capitalismo.

Portal CTB - O que se pretende com o encontro?

Juan Castillo- Nossa intenção é que o Encontro Sindical Nossa América seja um instrumento unitário e que contribua concretamente para unificar o conjunto da classe trabalhadora na luta, independentemente das concepções ideológicas e posições políticas. Nós temos organizações autônomas, independentes, assim como entidades filiadas à FSM e à CSA e CIS. É possível e necessário construir a unidade de ação, que vai aumentar a força dos trabalhadores e trabalhadoras na luta contra a crise.

Portal CTB - E quanto à participação, qual o número de delegados previsto?

Juan Castillo- É hora de montar a estrutura de organização que vai definir o grau de participação das entidades já inscritas e que vão se inscrever para o encontro. Aspiramos superar o 1º Encontro, realizado em Quito. É um desafio que já está sendo vencido no que diz respeito aos países que estarão representados. Não pretendemos excluir ninguém e creio que teremos uma delegação brasileira expressiva, já que o evento será realizado em São Paulo, e em torno de 200 delegados e delegadas provenientes de outros países. Até o momento contamos com 12 centrais inscritas e outras estão em processo de decisão sobre a participação. Teremos novidades a respeito nos próximos dias.

Portal CTB - O encontro será realizado numa conjuntura marcada pela crise geral do capitalismo. O que você pensa sobre isto?

Juan Castillo- Temos uma oportunidade histórica de debater as questões candentes do movimento sindical em meio a uma crise mundial do capitalismo que faz da classe trabalhadora a sua principal vítima. É um momento em que se acirra a luta de classes, um momento para tomar a decisão de sair com propostas concretas para alcançar a unidade de ação do movimento sindical e dos trabalhadores e trabalhadoras. Sair do 2º Encontro com um conjunto de propostas viáveis e concretas neste sentido é um desafio importante.

Portal CTB - Como estão as coisas no Uruguai?

Juan Castillo- Vivemos os primeiros impactos da crise numa conjuntura fortemente marcada pela proximidade da sucessão presidencial. A campanha eleitoral é vivida com muita intensidade em todo o país e em particular no movimento sindical. A crise afetou principalmente a indústria, com destaque para os ramos mais voltados para a exportação: carne, couro, laticínio, têxtil e automóveis.

Nossa Central (PIT-CNT) optou por concentrar a luta em torno de três ou quatro medidas concretas: redução da jornada sem redução de salários; garantia de formação e capacitação para os trabalhadores de empresas, destinando de um a dois dias da semana de trabalho para a educação neste sentido; ampliação do prazo do seguro desemprego de seis para nove meses e 1 ano para trabalhadores com mais de 50 anos. Conquistamos vitórias nesta direção, entre elas a constituição do Instituto Nacional de Emprego, tripartite (com representantes dos trabalhadores, empresas e governo), que deverá também criar um fundo para combater o desemprego e melhor amparar os desempregados. 
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