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OEA ainda não chegou a acordo sobre reintegração de Cuba

Os chanceleres que participam nesta semana da 39ª Assembleia Geral da organização da Organização dos Estados Americanos (OEA) não chegaram a um acordo ontem (2) sobre a reintegração de Cuba ao órgão interamericano.

Após diversas horas de reunião, os representantes de Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Argentina, Honduras, Venezuela, Belize, Jamaica e Nicarágua, que formam o "grupo de trabalho" que discute o tema, concluíram as atividades desta terça-feira sem um consenso.

"É preciso respeitar as posições", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, um dos últimos a deixar o Centro Árabe Hondurenho de San Pedro Sula, onde foi realizado o encontro. "Acho que houve um avanço, porque pelo menos agora existe uma consciência de que a resolução de 62 é um cadáver insepulto que tem de ser enterrado", acrescentou.

O chanceler brasileiro reconheceu que um acordo entre os países neste momento seria "um milagre", mas ressaltou que os participantes da reunião devem continuar buscando soluções.

Antes do encontro, a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, assegurou que havia sido encontrada "uma grande base de acordo" para tomar uma decisão sobre o retorno de Cuba à OEA.

Espinosa explicou que as divergências entre os países estavam relacionadas à maneira como seria revogada à expulsão. Enquanto alguns países, como Venezuela e Nicarágua, pretendem que Cuba seja reintegrada incondicionalmente à organização, outros, como os Estados Unidos, pedem que o processo seja vinculado a ações para promover os direitos humanos e a democracia no país.

Por sua vez, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, expressou a preocupação do governo dos EUA com relação às possíveis consequências da reintegração incondicional de Cuba à OEA e reiterou a exigência de que o país realize eleições "livres".

"Alguns países vem pressionando com força para que seja emitida uma simples resolução para levantar a suspensão e nada mais, porém nós argumentamos que não é do interesse da OEA tomar uma ação e não entender as consequências dela", observou.

Cuba foi expulsa da OEA em 1962, depois que o governo da ilha caribenha, liderado por Fidel Castro, se alinhou com a União Soviética. A posição cubana foi considerada na época como incompatível com os valores promovidos do órgão interamericano.

Mais cedo ontem, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, indicou que o tema pode provocar uma divisão dentro do órgão interamericano. "Queremos progredir e deixar para trás um passado que para muitos não é positivo, mas não ao custo de cair novamente em divisões", disse.

As delegações dos países que formam o "grupo de trabalho" que discute o retorno de Cuba à OEA devem retomar os debates nesta quarta-feira, sem a presença dos chanceleres.

 

ANSA

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