País deve criar mais de 2 mi de empregos em 2010, dizem especialistas
A criação de 1,473 milhão de postos de trabalho formais no primeiro semestre deste ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregos e Geral de Empregados e Desempregados (Caged), indica que o Brasil deve criar pelo menos 2,06 milhões de vagas neste ano, segundo especialistas ouvidos pela Agência Estado.
Se esse
número for confirmado, o total de empregos criados desde 2003 atingirá 11,14
milhões - marca que supera as 10 milhões de vagas que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse, durante a campanha em 2002, que o Brasil precisaria
criar.
"Esperamos que serão criados neste ano 2,4 milhões de empregos",
comentou a economista do Santander, Luiza Rodrigues. Rafael Bacciotti, analista
da Tendências, acredita que podem ser gerados mais 1,1 milhão de postos no
segundo semestre, o que representaria 2,5 milhões de postos neste ano.
O presidente
do Ipea, Márcio Pochmann, acredita que a marca pode chegar a 2,1 milhões. "Mas
não me surpreenderia se o bom ritmo de expansão da economia gerasse no total 2,4
milhões de vagas em 2010″, afirmou. Na avaliação do economista da LCA, Fábio
Romão, devem ser gerados 2,06 milhões neste ano, o que representaria perto de
587 mil postos líquidos criados no segundo semestre.
Luiza Rodrigues leva
em consideração que a criação de 2,4 milhões de empregos formais em 2010 está
relacionada com o forte desempenho do nível de atividade, pois o Produto Interno
Bruto (PIB) deve crescer 7,8% neste ano.
De acordo
com Pochmann, a geração de quase um milhão de postos de trabalho de julho a
dezembro é viável, pois o estoque de vagas líquidas formadas no primeiro
semestre foi muito forte, dado que foi o recorde para o período na história do
Caged.
Segundo Bacciotti, a desaceleração do nível de atividade no
segundo trimestre na margem produziu uma redução do saldo de empregos formais
gerados mensalmente em termos dessazonalizados no primeiro semestre. Em janeiro,
foram criados perto de 233 mil postos, número que baixou para 199 mil vagas em
fevereiro e que retornou aos 233 mil empregos em março.
No mês de
abril, a marca atingiu 193 mil vagas, que subiu um pouco para 196 mil em maio,
número que baixou para 143 mil empregos em junho. Romão lembra que a redução da
capacidade de geração de empregos no mês passado está relacionada com a
diminuição do ritmo de expansão do País no segundo trimestre.
Depois do
PIB ter avançado 2,7% de janeiro a março, na margem, esse número deve atingir
0,7% de abril a junho, chegar a 0,4% no terceiro trimestre e alcançar 1,0% nos
últimos três meses do ano, pelo mesmo critério de análise.
Romão destaca
que algumas categorias profissionais importantes apresentaram em junho de 2010
uma geração de empregos inferior ao mesmo mês de 2008, que é o parâmetro mensal
mais próximo para análise comparação, pois o desempenho do sexto mês de 2009
apresentou resultados baixos devido aos efeitos da crise internacional sobre o
País.
A indústria,
no mês passado, criou 47 mil postos, abaixo dos 54,8 mil em junho de 2008. O
comércio apresentou uma geração de 26,6 mil postos no mês passado, marca
inferior aos 48,2 mil empregos do mesmo período em 2008. Os serviços, que
incluem a administração pública, criaram 59 mil postos em junho de 2010, número
menor que as 77 mil vagas criadas em junho de 2008.
Para o segundo
semestre, os especialistas preveem uma criação inferior de empregos ao apurado
entre janeiro a junho, o que está vinculado ao fato de que a geração de postos
no primeiro semestre normalmente é superior ao apurado nos seis meses seguintes.
A indústria,
por exemplo, reduz o contingente de trabalhadores em dezembro, dado que o pico
da produção ocorreu nos meses imediatamente anteriores, em função da fabricação
de mercadorias para serem vendidas nas festas de final de ano.
Romão tem
uma avaliação um pouco mais cautelosa sobre a geração de empregos no segundo
semestre, pois ele acredita que as empresas já recuperaram o estoque de
funcionários registrados em relação ao período pré-crise internacional.
Mas para Luiza Rodrigues, há uma boa dose de confiança dos agentes econômicos, inclusive dos empresários, sobre as perspectivas favoráveis da economia no longo prazo que permitem prever que a geração de empregos no segundo semestre deve chegar perto de um milhão de vagas.
Ele destacou que a Sondagem Industrial realizada pela FGV apontou que em março, 45,1% dos dirigentes de companhias tinham intenção de contratar funcionários nos três meses seguintes. "Essa marca alta ocorreu quando o País estava num nível muito forte de expansão", ressaltou.
Em junho, ela ponderou, mesmo com a desaceleração do nível de atividade a pesquisa mostrou que aquele indicador baixou pouco, pois atingiu 44,4%.
"Ou seja, a
confiança dos empresários está muito favorável para a geração de empregos. Para
os dirigentes de empresas, este fator esta relacionado diretamente com a
estabilidade da economia, com inflação sobre controle, processo que já ocorre há
vários anos", afirmou.
Alta dos juros
A redução do
ritmo da economia no segundo trimestre, o que foi exibido por vários
indicadores, como o recuo de 5% da produção de veículos em junho na margem,
segundo a Anfavea, e a queda de 3,83% das vendas de papelão ondulado no mesmo
período, promove um debate indireto entre os especialistas sobre a necessidade
do aperto monetário ser muito mais vigoroso no último trimestre do ano.
Para Fábio
Romão, a Selic deve aumentar 0,75 ponto porcentual na próxima semana e mais 0,75
ponto porcentual no dia primeiro de setembro.
"Não há necessidade de
maior elevação dos juros devido à clara redução da velocidade do nível de
atividade", disse. A LCA estima que o PIB deverá crescer 6,6% neste ano, taxa
inferior à alta de 7% manifestada pelo presidente Lula.
Fonte: Blog O outro lado da notícia
