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Paraguai vota contra a oligarquia dos partidos tradicionais

Com a totalidade dos votos para presidente apurados, confirma-se a vitória de Fernando Lugo, novo presidente do Paraguai. A vitória indica a consolidação democrática do país. Festa da Aliança Patriótica para a Mudança reuniu todas as forças políticas em frente ao Panteão dos Heróis, no centro de Assunção.


Clarissa Pont


ASSUNÇÃO - A confirmação da vitória de Fernando Lugo ocorreu por volta das nove horas da noite de domingo, quando os dez pontos percentuais de diferença que separavam a Aliança Patriótica para a Mudança do Partido Colorado indicavam ser inviável uma reviravolta nos resultados. Neste momento, observadores internacionais presentes no Hotel Granado, centro de Assunção, onde Lugo concedeu a primeira coletiva de imprensa como virtual presidente, estavam atentos à contagem de votos transmitida pela televisão.

"O ato eleitoral foi para todos os paraguaios uma forma de expressar o sentimento de mudança. Apesar de termos visto em alguns locais de votação as dificuldades e a estrutura de controle que o Partido Colorado possui, acreditamos que tudo correu bem. É muito importante para o Paraguai a vitória de uma aliança progressista como esta. Para nós estar aqui hoje e fundamental, junto com o povo do Paraguai a quem tanto devemos; os uruguaios, os argentinos e os brasileiros; depois daquela triste guerra. Apoiamos esta aposta da democracia e essa aposta de seguir mudando a direção dos ventos na América Latina", assinalou a deputada pela Frente Ampla, do Uruguai, Eleonora Bianchi.

O secretário geral do Partido Socialista do Uruguai, Eduardo Fernández, também acredita que a vitória de Fernando Lugo faz parte de um processo continental. "Já acompanhei outra eleição no Paraguai e o Partido Colorado não aparecer como favorito é uma coisa bem estranha. A vontade de mudança do povo paraguaio, pelo que vimos até agora, vai ser confirmada nos resultados finais. O Paraguai entrou no caminho progressista que marca a América Latina já há alguns anos", avaliou. Neste momento, apenas metade dos votos haviam sido contabilizados, mas a vitória de Lugo já era anunciada. Na Junta de Governo do Partido Colorado, pela primeira vez, não havia festa.

No mesmo hotel, Fernando Lugo concedeu uma coletiva de imprensa na qual foi apresentado como virtual presidente. "Há alguns meses, nenhum de nós sonhava que isso poderia ter acontecido. Um grupo de sonhadores políticos colocou o país em primeiro lugar", disse. "Muito se falou antes das eleições, se atemorizou as pessoas com notícias de atos de violência, mas agora podemos concluir o contrário. Nunca mais se fará política com base no clientelismo neste país". Em frente ao hotel, centenas de manifestantes comemoravam e aguardavam Lugo para o discurso que faria em frente ao Panteão dos Heróis, perto dali.

Militante do Movimento Popular Tekojoja, Adolfo González não escondia a felicidade. "Eu sou do interior e, para nós, é muito importante esta mudança. Tenho 65 anos e venho lutando por isso há muito tempo". Osvaldo Souza, 19 anos, votou pela primeira vez este ano, em Fernando Lugo. "É uma conquista histórica, porque o Paraguai está cansado do continuísmo, de que poucos sejam os donos do país, desta oligarquia que se formou", declarou o jovem coberto por uma bandeira paraguaia.

Segundo o secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, "estas foram eleições históricas. Apesar das diferenças, os partidos e os movimentos políticos chegaram a um consenso fundamental sobre as regras do jogo que, aqui e no resto da América Latina, constitui um mínimo imprescindível para a construção da democracia". A missão da OEA presente no Paraguai realizou um comunicado oficial na manhã desta segunda-feira reconhecendo a legitimidade da vitória de Fernando Lugo. Um percentual de 65% do eleitorado compareceu às urnas no domingo.

Primeira dama e Brasil são os temas da imprensa
A imprensa paraguaia tratou, nesta segunda-feira, fundalmentalmente sobre o tema de Itaipú. Segundo o diário de Assunção ABC Color, o presidente Lula teria declarado a jornalistas brasileiros que a revisão do Tratado não está em seus planos. "O Tratado de Itaipú não muda", teria afirmado Lula ao comentar a vitória de Fernando Lugo. Outro personagem presente na mídia desde ontem é a irmã de Lugo, Mercedes. Na manhã desta segunda-feira a futura primeira dama manifestou interesse em centrar seu trabalho no serviço social e na educação. Para ela, o ensino é a principal condição para o desenvolvimento da cidadania paraguaia.

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