Petroleiros da CTB solidarizam-se com Haroldo Lima
Nós, que integramos as organizações sindicais do sistema Petrobras, protagonistas de grandes jornadas de lutas em defesa dos interesses nacionais, sobretudo nessa estratégica atividade econômica, a energética, vimos a público nos manifestar sobre o episódio envolvendo o diretor geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o engenheiro eletricista Haroldo Lima.
Primeiramente, temos a dizer que, como agentes dos movimentos sociais atuais, pertencemos a uma geração que é filha e herdeira das lutas pela redemocratização da sociedade brasileira, nas quais vários lutadores do povo foram privados de liberdades, sofreram duras torturas e perderam a própria vida por essa causa.
Atualmente, desfrutamos o melhor momento democrático da história brasileira, não como obra do acaso, mas como resultante de todo um processo de luta do nosso povo. E Haroldo Lima é um desses brasileiros que lutou tenazmente, e que, nos dias atuais, mantêm-se nas trincheiras em defesa dos interesses do Brasil. Portanto, é um homem com passado honroso e uma ilibada trajetória política.
Os meios de comunicação no país tentam, através de um repasse feito pelo diretor da ANP de uma notícia publicada em uma revista especializada estrangeira, esconder e minimizar as realizações do atual governo no setor energético, sobretudo, o petrolífero, no qual as recentes descobertas fronteiriças projetam o país a um elevado patamar de destaque frente às demais nações. Desde a sua criação, a Petrobras descobriu em torno de 25 bilhões de barris, e, destes, mais da metade foram a partir de 2003.
A essência desse episódio está ligada aos vultosos interesses econômicos das multinacionais que atuam nessa atividade, e que tinham no governo Fernando Henrique um fiel depositário de seus projetos. Este, inclusive, chegou a alterar a legislação petrolífera, só não privatizando a Petrobras em função das reações da sociedade brasileira.
As informações e opiniões do diretor Haroldo Lima, como as publicadas na revista Isto É, número 2004, de 28 de março de 2008, vem oportunizando ao país enxergar a urgente necessidade de atualizarmos a regulamentação da atividade petrolífera no Brasil. Suas informações quanto às limitações de conhecimento sobre as nossas 29 bacias sedimentares, o novo patamar do preço do barril de petróleo, as taxas dos royalties e sua distribuição, as novas descobertas e a diminuição dos riscos exploratórios decorrentes destas, sobre o necessário novo marco regulatório para o setor, revelam e potencializam as convicções das organizações que sempre lutaram contra os representantes dos interesses forâneos em nosso país.
Dessa forma nos solidarizamos ao diretor geral Haroldo Lima por compreender que o debate proposto pela grande mídia nacional tenta se estabelecer pela aparência dos fatos, e para isso ataca um agente público desenvolvimentista, impedindo que a sociedade brasileira conheça a essência do acontecimento.
Aproveitamos para conclamar a sociedade brasileira a exigir do governo Lula para que este promova um amplo debate nacional sobre a temática energética e que crie as condições para que possamos recuperar as ações vendidas pelo tucano FHC aos especuladores internacionais, fortalecendo um instrumento indispensável para uma política energética nacional e soberana, a estatal Petrobras.
Rio de Janeiro, 16 de abril de 2008.
Aldemir de Carvalho Caetano
Alexandre Gomes Alves
André Martins
Daniel Samarate
José Divanilton Pereira e Paulo Neves Júnior
(Dirigentes da FUP)
