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PF intimida trabalhadores e pretende fazer despejo na Bahia

Clima tenso e um possível confronto hoje (18) entre centenas de famílias e a Polícia Federal (PF). Assim está a situação no acampamento montado por agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) no projeto Salitre, norte da Bahia. Ordem judicial determinada odespejo hoje, quando encerra também o prazo acordado com governo do estado para iniciar o assentamento de mil famílias.
 
Os agentes da PF estiveram no local no início do dia e disseram que "buscariam reforço para cumprir a ordem de qualquer jeito", afirma Jailson Sena, articulador do MST na região. Ele disse ainda que teria a garantia dos comandos da Polícia Militar e do Exército, que esses não estariam dispostos a mandar efetivos para o despejo.
 
A ação truculenta dos agentes federais é que estaria inviabilizando o diálogo iniciado entre movimento, governos municipal, estadual e federal. "Se vierem despejar da forma como eles estão querendo fazer, não sei o que pode acontecer, a situação pode ficar bastante complicada, pode até se ter uma nova versão de Eldorado dos Carajás", comenta.
 
O acordo firmado entre os trabalhadores e o governo do estado dava conta de que hoje haveria uma terra disponível para assentar mil famílias, com infra-estrutura de água, energia elétrica e área limpa para que fossem montados barracos provisórios. Além disso, os agricultores poderiam concluir trabalho iniciado e colher os alimentos cultivados.
 
A área para onde as famílias seriam deslocadas foi comprada recentemente pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). São 13.600 hectares localizados no município de Sobradinho (BA) que ainda não teria recebido qualquer obra de infra-estrutura . "Nós até podemos cumprir o mandado judicial, mas não vamos para a terra onde deveria haver o assentamento porque o acordo não foi cumprido, não tem como as famílias irem para lá", diz Jailson.
 
Grupo de Trabalho

Na última quinta-feira, dia 12, foi constituído, em Brasília, um Grupo de Trabalho (GT) para tratar do assunto, formado pelos representantes do MST, Jailson Sena e o engenheiro agrônomo Júlio Vasconcelos; as Casas Civis dos governos estadual e federal; o Ouvidor Agrário Nacional, desembargado Gercino José da Silva Filho; o superintendente do Incra na Bahia, Prefeitura e Secretaria Municipal de Agricultura; e Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).
 
Na reunião foi firmado novo acordo: apenas esse grupo determinaria mudanças no processo e amanhã (19) haveria outra reunião, em Sobradinho (BA). Nesse meio tempo a Codevasf faria um documento solicitando ao juiz da Vara Única Federal de Juazeiro (BA), Dimes da Costa, a suspensão da ordem até o cumprimento e conclusão do acordo firmado inicialmente.

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