PMDB de Geddel deixa o governo Wagner
Durante toda a semana, a imprensa local veiculou notas dando conta de uma ruptura iminente, em especial após o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, ter declarado publicamente que é candidato à sucessão estadual em 2010. No início da semana, foi atribuida ao ministro a declaração de que já havia colocado os cerca de 500 cargos ocupados pelo PMDB na administração estadual à disposição do governador. Em resposta, Wagner teria afirmado que não houve qualquer comunicado oficial e que caberia, a cada secretário, apresentar o seu pedido de demissão.
Enquanto Geddel reclamava das tentativas, sem sucesso, de contatar Wagner para uma audiência de formalização de entrega dos cargos, o governador, além de negar a existência do referido pedido, ainda afirmou estar com a agenda lotada e mesmo ser desnecessário tal encontro. "Não contratei por lote e não reconheço partido político como agência de terceirização de mão de obra. Não preciso de intermediários para conversar com os meus secretários. Quando eles me procurarem, vou conversar com os dois e aceitarei os pedidos de exoneração que me forem apresentados pessoalmente", afirmou.
A forma como a aliança se desfez, no entanto, não atendeu às expectativas de Wagner. "Mas foi a forma que o PMDB encontrou", pontuou. Na segunda-feira (10/08), segundo informou à imprensa o líder do PMDB na Assembléia Legislativa, deputado Leur Lomanto Jr, o partido irá se desligar do bloco do governo, também por meio documental. O governo, contudo, segue com a maioria absoluta da Casa.
Projeto Político
Mesmo tendo resistido à ruptura definitiva da aliança vitoriosa em 2006, e que selou a derrocada do carlismo na Bahia, o governador declarou que a saída dos secretários é "página virada" e, a partir de agora, os próximos passos são de fortalecimentos das alianças com os partidos da sua base e a aglutinação de novas forças políticas para prosseguir com o projeto político que dá bse ao seu governo. O estreitamento de laços com o PP, que já ocupa a pasta de Agricultura, e a atração do PTB e do PDT são alternativas possíveis.
"Respeitamos a posição adotada pelo PMDB, que, infelizmente, optou por candidatura própria ao governo do estado; embora, ao que se espere, alinhados com a campanha nacional em torno da campanha de Dilma Rousseff. O governo, entretanto, tem plenas condições de tocar o projeto vitorioso, mesmo sem o PMDB, e aumentar o seu arco de alianças", afirmou Péricles de Souza, presidente estadual do PCdoB; partido historicamente aliado do PT, desde a primeira candidatura de Lula à presidência e que integra a frente política vitoriosa na Bahia em 2006.
Para além dos interesses eleitorais, existe a preocupação em ratificar e dar prosseguimento ao projeto político implementado pela gestão de Jaques Wagner, com um novo modelo de governo, democrático e participativo. "Esperamos ter o PMDB na campanha presidencial e que, no segundo turno, volte a se encontrar com as forças de esquerda lideradas por Wagner no enfrentamento, provavelmente, das forças do DEM e PSDB, aglutinadas em torno do nome de Paulo Souto", reiterou Péricles de Souza.
De Salvador,
Camila Jasmin, com agências
