Pochmann: Aumento do juro pode interromper o ciclo de crescimento
"A melhor política de combate à inflação de demanda é justamente a ampliação dos investimentos que permita a capacidade de produção do país crescer, inclusive em condições suficientes para atender a demanda interna", afirmou Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), condenando uma eventual elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central na próxima reunião do Copom, dia16. "É isso que nós estamos verificando nos últimos 41 meses: o investimento cresce acima do consumo", completou.
"É claro que podemos ter alguns setores que estão mais pressionados por demanda e podem haver alguns gargalos, o que é natural em toda economia que começa a crescer a taxas importantes. Como foi o Brasil no ano passado e provavelmente será neste ano", disse Pochmann.
"Agora, os gargalos, que são poucos e pontuais, devem ser enfrentados com medidas voltadas basicamente para a ampliação da importação; podem ser enfrentados com a redução do crédito localizado aos setores e não com a elevação da taxa de juros, que significa um corte do consumo de forma horizontal, pois a elevação dos juros atua sobre todo o consumo, e significaria, inclusive, a possível interrupção do ciclo de investimentos. Porque, se os juros sobem, o investimento produtivo deixa de ser atrativo, fazendo com que se alimente ainda mais a cadeia da financeirização do país".
Quanto à política de juros do BC, o presidente do Ipea considerou que "nós estamos transitando de uma convergência política basicamente assentada na estabilidade monetária para uma convergência em torno do desenvolvimento nacional: de um lado, a postura do Banco Central que reflete um antigo compromisso em torno da estrita estabilidade monetária, e, do outro lado, talvez a maior parte do governo Lula comprometida com a temática do desenvolvimento do país".
CUT (www.cut.org.br)
