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Por rentabilidade, bancos mantêm spread alto

Os planos do governo federal de tentar pressionar o sistema financeiro a reduzir o spread devem ficar limitados aos bancos em que é controlador. Isso porque apesar de os bancos públicos virem reduzindo os juros com frequência, os privados não devem acompanhar esse movimento e diminuir a margem entre o custo de captação e o de aplicação.

 

Para o economista da Lopes Filho e Associados João Augusto Frota Salles, o sistema privado deverá enfocar esforços em manter suas margens de retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, da sigla em inglês), que já foram bastante prejudicadas no ano passado, depois do agravamento da crise. "A iniciativa privada neste ano irá defender a rentabilidade das operações, isso está claro." O Bradesco, por exemplo, em 2008, teve uma queda de quase 5 pontos percentuais no seu ROAE em relação a 2007, de 28,3% a 23,8%. Apenas no quarto trimestre, em relação ao terceiro, a queda foi de quase 3 pontos, de 25,1% para 22,8%. A meta da instituição, segundo o analista, será preservar esse índice em 2009.

 

Isso, porém, não significa aumento nas taxas praticadas atualmente. "O preço para o tomador final deve se manter estável. O custo de captação está caindo e o governo dá indicações de cortar ainda mais a Selic, e com isso já há um ganho na margem.

 

" Segundo ele, as instituições federais devem repassar essas quedas nos custos de captação para o tomador final, ao contrário dos bancos privados. No início da semana, o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, declarou que os bancos também querem a redução dos juros. "Isso significaria uma situação de estabilidade, que é desejada por todo o sistema financeiro."

 

Em relação à concorrência, os cortes de juros não devem trazer grandes benefícios a instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que já promoveram dois cortes nos juros desde o início do ano. "Até certo ponto pode haver uma migração para estatais, mas não acredito que seja significativa."

 

Para o ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos e atual sócio da consultoria Integral Trust, Roberto Troster, não haverá ganho de mercado pelo BB e pela Caixa porque há uma grande inércia no sistema financeiro. "Se você é correntista de um banco, você pesquisa taxas? Há pouca mobilidade entre as instituições, por isso não deve haver mudança nesse sentido", acredita o economista.

 

Os analistas concordam em que não há muitas ferramentas com as quais o governo pode trabalhar para animar os bancos privados a também reduzirem o spread. "Não se pode determinar, mas pode-se mexer na regulamentação. Pode, por exemplo, liberar mais compulsórios, o que reduziria o custo de captação das instituições." No entanto, admite ele, isso não garante a queda do spread, uma vez que as instituições podem utilizar essa medida para incrementar as margens.

 

Segundo dados do Banco Central, o spread médio ficou em 30,6% em dezembro, uma alta de 0,5 ponto em relação ao mês anterior. Nesse período, o índice para pessoa jurídica permaneceu estável em 18,3% ao ano, enquanto a pessoa física teve uma alta de 2 pontos, para 45,1% ao ano.

 

Febraban

 

Segundo estudo da entidade que agrega os bancos no País, o spread não está tão alto como o demonstrado pelo Banco Central. A entidade, utilizando a mesma metodologia de cálculo do BC, ampliou a base, incluindo linhas de financiamento com prazos maiores, o que deixou o spread menor e com a curva de alta menos acentuada.

 

A entidade alega que o número demonstrado pelo BC utiliza apenas 45,5% do total das operações de crédito do sistema financeiro nacional. Para empresas, a diferença entre custo de captação e aplicação caiu de 18,3% em dezembro para 14%.

 

Segundo a entidade, o spread deverá diminuir à medida que também se reduzam as incertezas em relação a pagamento dos financiamentos. Segundo dados do BC, a inadimplência respondeu por 37,35% do cálculo do lucro bruto dos bancos no crédito e deve encerrar 2008 com representatividade na faixa dos 40%, com tendência de alta em 2009, graças a um esperado aumento na inadimplência.

 

Fonte: DCI – São Paulo

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